quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Brazil officially rejects Séralini´s results – no risk assessment revision is being suggested for NK603 maize

The Brazilian National Biosafety Commision (CTNBio) official assessment on the 2012 Séralini paper

In the last 30 days a couple of countries, through their national authorities for risk assessment, have clearly positioned themselves against the scientific validity of Séralini´s paper. Indeed, these authorities have published technical opinions stating that Séralini´s pledge (on feed made with GM corn inducing tumor in rats) was not supported by his published data.

Now Brazil, the second largest GM crop grower in the World, also officially rejects Séralini´s results.  The Brazilian CTNBio makes public its opinion on the work of Séralini and his collaborators (see below). The opinion is in many points similar to that made public by concerned Brazilian researchers some weeks ago (http://genpeace.blogspot.com.br/2012/10/pesquisadores-brasileiros-assinam.html, in Portuguese)

The President of the Brazilian National Technical Commission on Biosafety - CTNBio, in response to the demand of the Ministry of Foreign Affairs, appointed a committee comprised of four distinguished researchers who evaluated the work of Séralini and his collaborators in prior publication on the journal Food and Chemical Toxicology, available on the website http://ac.els-cdn.com/S0278691512005637/1-s2.0-S0278691512005637-main.pdf?_tid=bdde0922-2296-11e2-ada7-00000aab0f6c&acdnat=1351604340_c8d8f6b6fbeeec91e0ef4b1ca2444c8f . The result of this evaluation is below.
Document evaluated
Séralini GE, Clair E, Mesnage R, Gress S, Defarge N, Malatesta M, Hennequin D, de Vendômois JS. Long term toxicity of a Roundup herbicide and a Roundup-tolerant genetically modified maize. Food Chem Toxicol. 2012 Sep 11. pii: S0278-6915(12)00563-7. doi: 10.1016/j.fct.2012.08.005
Prof. Dr. José Fernando Garcia – School of Veterinary Medicine, São Paulo State University Júlio de Mesquita Filho, Araçatuba, São Paulo
Prof. Dr. Fernando Salvador Moreno – School of Pharmaceutical Sciences, Department of Food and Experimental Nutrition, University of São Paulo, São Paulo, SP
Professor. Dr. Nance Beyer Nardi - Stem Cell and Tissue Engineering Laboratory, Lutheran University of Brazil, Canoas, RS

In an overall assessment, this study represents a strong commitment to assess the consequences of a diet with genetically modified (GM) plants, exposed or not to the herbicide to which they are resistant, as well as with the herbicide itself, to rats after a long-term treatment. Results generated could potentially bring valuable information about the issue raised by the authors, however, the study completely fails to reach such purposes, due the following main reasons:
(1) The rat strain was poorly selected for the study, inasmuch as it is known that Sprague-Dawley rats develop tumors spontaneously in greater frequency than other strain (Keenam et al., 1979). The choice of another strain would have given greater consistency and reliability to the set of results of the study.
(2) Results are dramatically described and illustrated in a non-conventional fashion, leading to a relationship between feeding on GM plants and higher mortality or appearance of tumors, without, however, presenting numerical data in most analyzes, or statistical analyzes that inform the level of significance of the data presented in a general way. A study of the document shows that the expression "statistic" appears only twice: in item 2.6, "Statistical analysis" in Materials and Methods; and in item 3.3 (Results, biochemical analyses), in the phrase "For biochemical measurements in rats, statistical analysis". This confirms that data presented as regards biochemical parameters were the only results submitted to statistical analysis, even so, rather unclear.
(3) Other points recommend caution with respect to the study, such as:  Lack of a definition of the control maize lineage, described only as "closest isogenic maize" (Table 1); similar results are observed with GM maize treated or not with the herbicide and with the herbicide itself, without dose-effect relation; the number of animals per group is very small (10 males and 10 females), particularly considering specific sex differences; for several of the results, groups "treated" (n=90) are compared with "controls" (n=10) for each sex, while control and experimental groups should have similar sample size.
Finally, the review of the study indicates that based on the results presented it is not possible to establish any conclusions about the long-term effect of feeding on GM maize, treated or not with the respective herbicide, in rats. To this end, the findings should be described more accurately and submitted to a consistent statistical evaluation.
Therefore, this opinion indicates the main technical limitations, which invalidate the findings presented by the authors.
Please access the following link for the full text (903 kb, pdf file):

terça-feira, 30 de outubro de 2012


Muito bem vinda a iniciativa do ILSI Brasil ao tratar do tema mais do que oportuno da avaliação do risco ambiental e da segurança alimentar de transgênicos. Aqueles que ideologicamente se posicionam contra todos os OGM bem que podiam aproveitar a oportunidade para se reciclarem no assunto; assim, entenderiam que não faz sentido propor estudos de longa duração, nem espernear contra as decisões dos avaliadores de risco que não vêm problemas nos transgênicos até hoje liberados, .

Segue o programa (local: HOTEL NAOUM PLAZA - BRASÍLIA – BRASIL; contato: ILSI Brasil  tel: 11 3035-5585)

6 de novembro / November 6th
8h30 Abertura / Opening Session
Dr. Aldo Baccarin, Presidente ILSI Brasil
Dr. Flávio Finardi, Presidente  CTNBio
Dra. Marília Nutti, Coordenadora  do Comitê de Biotecnologia do ILSI Brasil

I. Avaliação do risco ambiental de plantas geneticamente modificadas frente às novas tecnologias
Environmental Risk  Assessment of GM Plants regarding New Technologies
Coordenação / Coordination: Dr. Maria Lúcia Carneiro, ESALQ / USP CTNBio
9h00 Situação no Brasil:  Aspectos genéticos da  avaliação do risco ambiental de plantas  GM
Overview on the Brazilian Scenario: Genetic aspects of environmental risk assessment of GM
Dr. Maria Lúcia Carneiro, ESALQ / USP CTNBio
9h40 Formulação do problema aplicado a novas técnicas de melhoramento de plantas: panorama internacional
Problem Formulation Applied to New Breeding Techniques: International Overview
Dr. Andrew  F. Roberts, Deputy Director, CERA

10h20 Intervalo / Coffee break
10h50 Avanços no processo regulatório da  Argentina (bases científicas)
Progress on the Regulatory Process in Argentina (Scientific Basis)
Eng. Gladys Huerga, Ministerio de Agricultura, Ganadería  y Pesca, ARG
11h30 Debate / Panel discussion

II. Segurança alimentar de alimentos geneticamente modificados
GM Food & Feed Safety Evaluation
Coordenação / Coordination: Dr. Walter  Colli, USP / Former  CTNBio President
14h00 Situação no Brasil / Histórico de utilização segura
Overview on the Brazilian Scenario / History of Safe Use
Dr. Walter  Colli, USP / Former  CTNBio President
14h30 A utilidade dos estudos toxicológicos com animais na  avaliação de segurança de alimentos GM
The  role of animal toxicology studies in the safety assessment of GM foods
Dr. Flávio Zambrone,  Instituto  Brasileiro de Toxicologia
15h00 Banco de dados de composição de culturas do ILSI
ILSI Crop Composition Database
Dr. Philip Brune, Syngenta  / ILSI-IFBiC
15h30 Debate / Panel discussion

16h00 Intervalo / Coffee break
16h30 Avaliação da  alergenicidade
Allergenicity safety assessments
Dr. Gregory S. Ladics, DuPont Pioneer Agricultural Biotechnology,  HESI PATC Co-Chair
17h00 Novos métodos de avaliação da  alergenicidade de proteínas
New methods to assess protein allergenicity
Dr. Scott McClain, Syngenta,  HESI PATC Co-Chair
17h30 Prevalência de alergia no mundo e novas proteínas na  cadeia alimentar
Prevalence of allergies around the globe and new proteins in the food chain
Prof. Lars K. Poulsen, Copenhagen University Hospital at Gentofte, HESI PATC Science Advisor
18h00 Debate / Panel discussion
Convidado / Guest Panelist: Prof. Ronald van Ree, PATC Co-Chair, University of Amsterdam

7 de novembro / November 7th
III. Low  Level Presence (LLP)
Coordenação / Coordination: Dr. Marcus Vinicius Coelho, MAPA
9h00 Iniciativas internacionais para manejar situações de LLP
International Initiatives to deal with LLP Situations
Dr. Marcus Vinicius Coelho, MAPA
9h40 Ações de stewardship da  indústria de biotecnologia e a sua aplicação com o tema de LLP
Stewardship of Biotechnology Crops and its Application to the Management of LLP
Dr. Luciano Fonseca, Gerente de Stewardship da Monsanto do Brasil Ltda.
10h20 Intervalo / Coffee break
10h50 Amostragem e métodos de detecção OGM Limitações e desafios na quantificação de LLP
Sampling and Detection Methods for GMOs:  Limitations and Challenges in Measuring LLP
Dr. Ray Shillito, Bayer Crop Science / IFBiC Chair
11h30 Debate / Panel discussion

12h00 Encerramento / Wrap up

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Desabonar as opiniões das academias e agências de avaliação de risco é estratégia adotada na luta contra os transgênicos

Para algumas organizações sociais que julgam falar por todos os agricultores deste país caiu como uma luva a declaração do estatístico francês Paul Deheuvels. Este professor declara recusar de antemão qualquer texto que seja apresentado em nome de várias academias partindo do fato de que o comitê que o assina não representaria mais do que a si mesmo, independentemente da eminência de seus membros. Segundo Deheuvels, “Um grupo de experts foi reunido às pressas, não sabemos por quem, ninguém sabe como, e com total falta de transparência na seleção de seus membros. Essas pessoas estavam dispostas a escrever em pouquíssimo tempo uma nota bastante crítica ao estudo. Eles não podem alegar que sua opinião é endossada por todo meio acadêmico da França”.

Com este perigoso argumento, vários questionamentos podem ser feitos a qualquer entidade que tire uma posição técnica por consulta a seus especialistas. Vamos analisar a situação com alguns exemplos:

1.       A linha de argumentação principal que a oposição aos transgênicos está empregando contra as seis Academias é: a posição não foi tirada por consenso, não houve uma discussão, os "especialistas" não foram consultados, etc. A argumentação pode se estender a toda uma dezena de outros órgãos especializados de vários países (inclusive a CTNBio), que também reprovaram o artigo e, em alguns casos, reprovaram também a conduta dos seus autores e da revista que displicentemente aceitou a coisa...

Nossas considerações: Não é costume (ainda que até se possa) pedir que TODOS os membros de uma academia assinem, se quiserem, um documento que se posicione contrário a uma pesquisa. Quem argumenta com essa parlapatice de exigir número elevado de assinaturas está equivocado ou usa de má fé. Observem bem os leitores: nem mesmo nas associações que apoiam os que combatem os transgênicos, os documentos de apoio ou de crítica são assinados por um grande número de técnicos. Em geral é igualmente um número pequeno de pessoas que assina os documentos. Então vale perguntar (e deve-se perguntar): quantas mil assinaturas essa gente recolheu para poder escrever um texto público metendo o pau nas academias francesas, na CTNBio e em quem mais for? TODA associação, academia ou órgão representativo tem porta-vozes, diretoria, subcomissões e mais um monte de gente que, num primeiro embate, assina por todos os membros. O trabalho do Séralini é tão torpe que não vale uma plenária, nem por Internet. O funcionamento normal dessas academias é o suficiente para rejeitá-lo.

Nota: No caso das Academias francesas, foram consultados especialistas, só que aparentemente não os que os eco-xiítas gostariam que tivessem sido...

2.       Aqui no Brasil a oposição aos transgênicos vai provavelmente argumentar: a posição da Presidência da CTNBio foi feita com base num parecer encomendado a quatro especialistas. Deveriam ter consultado a Plenária, dada a “seriedade” do assunto (assumindo que o artigo em pauta seja sério).

Nossas considerações: Muito mais do que uma prerrogativa do presidente (que soa autoritário para esses candidatos a autoridade, eles mesmos), é desse modo que a coisa funciona no Mundo todo, inclusive entre os eco-deslumbrados e "écolos bobos".  Esse ideia de desautorizar pareceres é anti-científica. Claro que a posição dos especialistas em nada difere da posição dos referees na publicação de um trabalho. Pode ser contestada ou desafiada com base tanto em posições individuais quanto em posições de academias, pois nada em ciência pode ser considerado definitivo. Mas a ciência não trabalha com base em plenárias, trabalha em pequenos grupos. Justamente por isso é que se manifesta como se está manifestando. Quem critica a forma com que as academias condenaram o trabalho do Séralini precisa ser "chamado às falas" para cair na real. Afinal, cada academia tem muitos membros e até agora os eco-xiítas não apareceram com abaixo-assinados de membros dessas academias reclamando do posicionamento de suas comissões ad-hoc no julgamento do trabalho do Séralini. Não é correto sair contestando toda a forma de manifestação das organizações científicas porque isso lhes tira credibilidade e é justamente a credibilidade (strictu sensu - capacidade de ser-se acreditado) que dá autoridade à ciência. É uma ação de terror que a oposição faz, sobretudo porque não propõe nada para por em seu lugar. Plenárias para extrair uma declaração contra o trabalho pífio do Séralini....aqui, como na França, seria simplesmente ridículo. A ciência tem mais o que fazer.

3.       Mesmo que o parecer dos quatro especialistas seja votado na Plenária da CTNBio no dia 8 próximo, seguramente não vai haver consenso e a oposição aos transgênicos vai dizer, como sempre diz, que foi o grupo alinhado às empresas do agronegócio que decidiu .

Nossas considerações: Pois é, vai dizer mesmo. Mas é preciso lembrar a eles e a todos que apenas dois ou três referees - anônimos - deixaram passar o infame texto do Séralini. Quer uma minoria menor e mais anônima do que isso? Os cientistas não reclamam disso - com razão. E a oposição argumenta que a aceitação do artigo pela revista lhe dá total credibilidade! Mas que exemplo gritante de dois pesos e duas medidas!

E porque os cientistas não reclamaram? Justamente porque  é assim que ciência funciona, não apenas agora mas SEMPRE! O trabalho vem a público - de preferência sem a palhaçada midiática do bufão -  e é imediatamente julgado pela comunidade científica. Se não prestar, como é o caso, começam a pipocar críticas no seio da própria ciência, em geral por iniciativa dos próprios colegas pesquisadores. Normalmente as academias não entram na história porque os trabalhos científicos não costumam ser anunciados com mega-eventos de mídia. Mas quando o estardalhaço é grande e a qualidade pouca, as academias manifestam-se, exatamente como fizeram agora. Eventualmente condenam o artigo; e a revista que o publicou muitas vezes também obriga o autor a fazer uma retratação. Já aconteceu no passado. É importantíssimo chamar a atenção da turma do auê pseudo-ecológico para o fato óbvio de que a condenação a um artigo não impede seus autores de corrigir os procedimentos considerados falhos e tentar republicá-lo. Em geral isso acontece ainda ao nível da avaliação dos referees, mas quando acontece do artigo vir à luz e ser duramente criticado, é em geral somente após ser refeito - por vezes pelo mesmo grupo - que ele acaba sendo aceito. E, quando isso acontece, as críticas desaparecem.

Os defensores do Séralini aparentemente não sabem de nada disso; A oposição aos cientistas acha que tem outro sistema melhor? Que o explique e o defenda!.

Consideração pra meditar: não houve um único cientista sério, nem unzinho, que saísse em defesa do artigo do Séralini, com texto de punho próprio; só as figurinhas carimbadas de sempre e os institutos pagos pela oposição internacional aos transgênicos e pelas empresas de alimentos interessadas no nicho “GMO free”. Cabe a pergunta final? Porque só aparece a defender o Séralini quem notoriamente milita na oposição aos transgênicos? Fica difícil entender, por exemplo, porque não se manifestam maciçamente a favor do Séralini seus colegas da Universidade de Caen (primeira linha da defensoria "esprit de corps", pelo menos em tese) ou os montes de biólogos trabalhando em áreas correlatas à dele, sobretudo os toxicologistas. Bem ao contrário, foi justamente um professor aposentado de Caen o que lhe fez talvez a mais dura crítica até agora....(http://genpeace.blogspot.com.br/2012/10/seralini-o-bufao-dos-transgenicos-como.html)

Encerrando: a decisão baseada em ciência no seio da CTNBio provavelmente será a de rejeitar a validade do artigo do Séralini e, portanto, invalidar o pleito de reconsideração da avaliação de risco do milho NK603, como já havíamos mencionado. O que vai sair na mídia (internet e jornais sensacionalistas ou alinhados ao movimento contra os transgênicos)? Que o Governo Brasileiro está assinando a sentença de morte de gente e bicho, como ser facilmente aquilatado pelo enorme aumento na incidência de câncer na população humana e animal, sobretudo em porcos e galinhas, grandes comedores de milho, desde a liberação do milho NK603 em 2008...Afinal,se ratos adoecem em dois anos, os demais bichos não vão precisar de dez ou cem, basta comer este poderoso veneno por 4 anos(2008 - 2012)! Mas a CTNBio acompanhou o parecer de muitas outras agências de avaliação de risco no Mundo e até agora não há relatos desta esperada escalada no aparecimento de tumores (veja-se http://genpeace.blogspot.com.br/2012/10/the-largest-experiment-with-human.html)

No fundo, a turma que considera todos os cientistas como torpes vendilhões do templo, de si mesma tem imagem muito melhor, talvez como a Natureza (humana) na Imitação de Cristo: gloriatur de nobili loco et ortu generis, arridet potentibus, blanditur divitibus, applaudit sibi similibus *; sobretudo a última afirmação!

(*) She glories in the nobility of her stock and descent; she fawns on those in power,flatters the rich, and applauds those who are like herself.