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terça-feira, 25 de março de 2014

Transgênicos são tão seguros quanto melhoramentos convencionais

De Agrolink   21/03/14 - 11:23    Autor: Leonardo Gottems

Cientistas do Reino Unido enviaram um parecer ao Conselho de Ciência e Tecnologia aconselhando que o país reveja sua regulamentação sobre culturas geneticamente modificadas. “A maioria das preocupações quanto aos transgênicos não têm nada a ver com a tecnologia, que é tão segura quanto o melhoramento convencional”, afirmou um dos autores do relatório, Sir David Baulcombe, do Departamento de Ciências Vegetais na Universidade de Cambridge.

O Conselho é o órgão consultivo do primeiro-ministro britânico para assuntos científicos. No documento, os especialistas advertem que, se não houver uma regulamentação das culturas transgênicas em nível nacional, e não no nível da União Europeia, a produção agrícola pode sofrer grandes prejuízos. O relatório foi escrito por cientistas das universidades de Cambridge e Reading, e dos laboratórios Sainsbury e Rothamsted Research.

"As críticas mais frequentes estão relacionadas com a forma como a tecnologia deve ser aplicada e se é benéfica para os agricultores de pequena escala ou para o ambiente. Para responder a essas preocupações, é necessário ter um processo de regulamentação com base em provas e evidências, independentemente de quais tecnologias tenham sido utilizadas para o desenvolvimento”, sustentam.

“Como não há nenhuma evidência de riscos ambientais ou de toxicidade intrínsecos associados com cultivos transgênicos, não é apropriado ter um quadro regulamentar que se baseia na premissa de que os transgênicos são mais perigosos do que as variedades de culturas produzidas por cruzamento convencional de plantas”, diz o parecer.

Sugestões GenPeace - Leia também:

1.     David Baulcombe. It's time to rethink Europe's outdated GM crop regulations. http://www.theguardian.com/environment/2014/mar/14/europe-gm-crop-regulations
2.     Bruce Alberts e outros. Standing Up for GMOs. http://www.sciencemag.org/content/341/6152/1320.summary
3.     Genetic modification (GM) Technologies. Relatório e Revisão sobre os avanços em transgenia. https://www.gov.uk/government/publications/genetic-modification-gm-technologies

É claro que a oposição aos transgênicos já começou a achincalhar os autores do relatório, dizendo que têm fortes ligações com as empresas de biotecnologia. Nunca criticam efetivamente as conclusões dos artigos e relatórios, porque não sabem o assunto em profundidade, mas são experts em emporcalhar publicamente os cientistas. Leiam em http://www.dailymail.co.uk/news/article-2581387/Scientists-hidden-links-GM-food-giants-Disturbing-truth-official-report-said-UK-forge-Frankenfoods.html


sábado, 15 de março de 2014

A CTNBio não decide diferente dos demais países que fazem avaliação de risco de transgênicos

Uma crítica que sempre se vê pela internet é a de que a CTNBio é irresponsável e que aprova no Brasil plantas transgênicas e outros OGMs que não foram aprovados nos países “sérios”. O corolário desta afirmação, que é completamente falsa, é obvio: o Brasil seria um campo de testes e os brasileiros, cobaias. Mas será assim?

Observemos o que está aprovado no Brasil. No banco de dados do CERA (http://cera-gmc.org/) constam 24 plantas transgênicas aprovadas no Brasil (há mais algumas no portal da CTNBio (www.ctnbio.gov.br), mas sempre soja, algodão e milho):
·         Quatro variedades de soja (duas da Bayer tolerantes ao herbicida glufosinato de amônio, uma da Basf, tolerante à imidazolinona e uma da Monsanto tolerante ao glifosato)
·         Sete variedades de algodão (Uma da Dow tolerante a insetos, duas da Bayer tolerantes a glifosato e quatro da Monsanto tolerantes a herbicida e/ou resistentes a insetos)
·         Treze  variedades de milho (cinco da Syngenta tolerantes a um herbicida e/ou resistente a insetos praga, quatro da Monsanto resistentes a insetos e/ou tolerantes a herbicidas,  uma da Bayer tolerante a herbicida e três da Pioneer e da Dow tolerantes a herbicida e resistentes a insetos).

Será que só nós, pobre tupiniquins, guiados pelos irresponsáveis professores e pesquisadores que sentam na CTNBio, aprovamos estes “venenos”? Ou talvez mais alguns países subdesenvolvidos, talvez ditaduras, tenham também aprovado, à revelia da segurança de seu povo?  Mas claro, nenhum país responsável faria isso...

Pois senão vejamos. Tomemos como exemplo dois milhos badalados, o NK603 e o TC1507. Observemos as tabelas abaixo, que mostram os países que os aprovaram, seja para plantio ou apenas para consumo (como alimento ou ração).

Tabela I. Países que aprovaram o milho NK603 (resistente a insetos), de acordo com o CERA database

País
Plantio
Alimento ou ração
Alimento
Ração

2004
2004

2002

2008
2008

2001
2001
2001

2005

2004

2009

União Europeia
2004
2004

2001
2001
2001

2002
2004

2002

2005
2003

2002
2002

2003

2000
2000

2011
2011

Tabela II. Países que aprovaram o milho TC1507 (resistente a insetos e tolerante a glufosinato de amônio), de acordo com o CERA database
País
Plantio
Alimento ou ração
Alimento
Ração

2005
2005

2003

2008
2008

2002
2002
2002

2004

2006

2009

2006
2005

2002
2002
2002

2002
2004

2003

2003
2003

2002

2003

2001
2001

2011
2011


Voilá! Estamos em companhia de países bárbaros e dominados por ditaduras sanguinárias ou somos parceiros de países sérios? Uma leitura rápida das duas tabelas mostra que os principais países e uniões do Mundo estão na lista dos que aprovaram estes dois milhos. O primeiro, entretanto, foi motivo de um estudo amalucado do Séralini e sua trupe (vejam http://genpeace.blogspot.com.br/2013/11/sepultando-um-zumbi-o-artigo-cientifico.html) e o segundo está no meio de uma polêmica na Europa entre a França e mais outros países e a União Europeia (http://genpeace.blogspot.com.br/2014/02/ao-desamparo-da-lei-oposicao-francesa.html) . A polêmica sobre estes milhos, completamente esvaziada de ciência, mas entupida de política, é o que leva uma parte dos “ecossocialistas” a condenar a biotecnologia agrícola. Seguramente, se observarmos que nas duas tabelas estão o Canadá, a Austrália, os EUA, a União Europeia e o Japão, é completamente disparatado dizer que a CTNBio está fazendo os brasileiros de cobaias, ao revés do resto do Mundo. É evidente que, na lista, estão os maiores produtores de grãos do Mundo. Por conseguinte, o Mundo está comendo milho transgênico, seja bicho ou gente. Então, como é que os oncologistas (inclusive os veterinários) não estão milionários tratando de uma legião de gente e bicho com câncer? Bom, a resposta é óbvia, mas os que se opõem aos transgênicos nunca a aceitam...

Ainda bem que a CTNBio está em boa companhia. Assim, ao menos teremos um consolo como ex-membros: quando os brasileiros forem extintos pelo consumo de transgênicos, o resto do Mundo vai junto, inclusive os poderosos. Sobrarão os franceses para repovoar a terra...