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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

APENAS 10 EMPRESAS DOMINAM 75% DO MERCADO MUNDIAL DE SEMENTES – E DAÍ?

Frequentemente lemos que umas poucas multinacionais dominam o mercado mundial de sementes e que isso seria um imenso risco à soberania alimentar dos povos. Mas será mesmo?

É preciso muita serenidade e certa clareza para entender a questão das sementes vendidas por empresas, sejam elas multinacionais ou pequenas companhias. Nada disso é novo e sementes são vendidas há mais de 50 anos. E sementes “livres”, aquelas fornecidas por órgãos de governo ou propagadas livremente pelos agricultores? Estas sempre continuarão existindo.

Sabendo disso, podemos nos perguntar: em que setor atuam as grandes empresas de sementes? No setor de commodities, ou seja, no setor de grãos que vendem muito pelo mundo todo. As sementes dos demais produtos agrícolas (frutas, legumes, verduras, grãos de menor expressão e outras plantas) também são vendidas por uma infinidade de empresas (inclusive as grandes), assim como podem ser obtidas de graça em muitos órgãos de governo ou pelo menos propagadas de graça. Também podem ser trocadas nas feiras de sementes da agricultura familiar. Finalmente, em muitos casos, os grãos podem ser plantados como sementes.

Então, o que está sendo explorado (mas de forma alguma controlado de verdade!) é o setor de commodities. Do mesmo jeito que celulares, computadores, carros, etc. Da mesma forma, sempre existirão alternativas aos produtores mais prestigiados... Além dos seis grandes há, como afirmamos acima, agências de governo, pequenas empresas, sementes crioulas e sementes de paiol, tudo acessível ou mesmo gratuito.

E, ao contrário dos carros e celulares, sementes e grãos podem ser propagados sempre que os preços não forem convidativos. Se a Monsanto e os outros grandes criam uma dependência do agricultor aos seus produtos (e tecnologias embutidas neles), elas também dependem do agricultor: se o preço for ruim ou a planta não emplacar, babau.

Se a gente olha com calma, não há a mais mínima diferença entre o mercado de sementes e muitos outros onde há concentração de produtos nas mãos de uns poucos e a qualidade do produto varia muito. Mas o Mundo não vai morrer nem sofrer com isso, porque a lei da oferta e procura escraviza igualmente produtores e consumidores, enquanto ela existir, independente de qualquer regime e de qualquer ideologia.

PS. Por que alguém compraria uma semente se pode obter de graça ou plantar seus próprios grãos? Os que combatem o mercado privado de sementes evitam fazer esta pergunta e assim escondem uma parte importante da discussão: a semente vendida só existe porque incorpora vantagens (e tecnologia) que a gratuita não tem. Se o agricultor entra num mercado muito competitivo (como o de grãos), terá que usar as melhores sementes e a melhor tecnologia para alcançar a produtividade necessária. Se ele atua num setor menos competitivo, pode usar uma semente de governo (boas variedades existem para o pequeno agricultor), sementes crioulas ou ainda propagar seus grãos, com as vantagens e riscos destes procedimentos. Em nenhuma destas sementes há tanta tecnologia embutida quanto a que existe nas sementes de grandes empresas. É o mesmo que comprar um Gol em vez de um Porsche ou construir seu próprio veículo em vez de comprar de algum fabricante. E da mesma forma, o Gol tem seu mercado, assim como o Porsche...


(esta postagem está baseada em um comentário que fiz ao site Controversia: http://controversia.com.br/18859?utm_source=wysija&utm_medium=email&utm_campaign=Boletim+Controversia )

terça-feira, 5 de maio de 2015

Transgênicos: benefícios e diálogo


Em resposta a artigo publicado no JC Notícias no último dia 30 de abril, questionando decisões da CTNBio, pesquisadores demonstram que “o aumento no uso de agrotóxicos nada tem a ver com os transgênicos, mas com a agricultura intensiva brasileira”

Pode-se perfeitamente entender a preocupação de Hugh Lacey, José Corrêa Leite, Marcos Barbosa de Oliveira, e Pablo Rubén Mariconda* em relação aos transgênicos: afinal, ela reflete uma percepção pública do risco, que é o produto da base analítica de cada um de nós, da mídia e das expectativas que temos para nosso futuro. Mas as decisões de Governo sobre novas tecnologias não podem ser tomadas com base no senso comum e sim na avaliação de risco, que trata do impacto direto e específico do organismo geneticamente modificado (OGM) na natureza, e da análise de risco, que envolve outros aspectos ligados à tecnologia. A separação dos dois procedimentos analíticos não é uma manobra antidemocrática ou reducionista, mas é um posicionamento técnico aceito e referendado no mundo todo e em sintonia com os tratados e acordos internacionais de comércio e de proteção à saúde e ao ambiente.

Tendo esta informação em mente, percebe-se que estão equivocados nossos colegas do IEA/USP quando pedem que a CTNBio se debruce sobre a questão dos agrotóxicos: ela não pode fazê-lo pela lei 11.105/2005 e não lhe cabe tal tarefa, que é de alçada exclusiva da ANVISA e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Em que pese o fato de que os agrotóxicos tenham impacto na saúde humana e animal, este é um assunto que foge do escopo da CTNBio. Poder-se-ia argumentar que os transgênicos e os agrotóxicos estão sempre associados, mas esta é uma percepção que, embora muito difundida na mídia alternativa, não encontra amparo na realidade, como comentaremos a seguir.

De fato, o Brasil usa agrotóxicos em centenas de diferentes cultivos, assim como na pecuária, mas os transgênicos representam apenas 30% da área plantada: são 160 milhões de hectares cultivados com as mais diversas culturas no país contra apenas 45 milhões com cultivos transgênicos. Por isso, a contribuição dos transgênicos no consumo de agrotóxicos é menor. Esta primeira inferência é claramente referendada pela análise do aumento do uso de agrotóxicos nos últimos 10 anos e do aumento da área plantada com transgênicos: para o primeiro o valor é de 200%, enquanto a área com transgênicos cresceu mais de 1000%! O que justifica, então, o aumento do uso de agrotóxicos? Basta olhar o aumento da produtividade geral da agricultura brasileira nos mesmos 10 anos: foi de 200%. Este valor não é uma coincidência, mas resulta da intensificação do processo produtivo, que demanda um controle mais rígido das ervas daninhas e das pragas em geral. A conclusão é clara: o aumento no uso de agrotóxicos nada tem a ver com os transgênicos, mas com a agricultura intensiva brasileira.

Vale lembrar ainda que as plantas transgênicas resistentes a inseto levaram a uma importante redução do uso de inseticidas, que também são agrotóxicos. Aliás, uma análise da literatura, do banco de dados do Sinitox e da ANVISA, mostra que os inseticidas estão entre os que causam mais malefício à saúde humana e, portanto, devemos neste sentido ser gratos à adoção das plantas transgênicas resistentes a insetos, que reduziram de forma global o uso destes agrotóxicos em soja e milho. Aqui estamos falando da tecnologia Bt, uma simplificação do nome da bactéria Bacillus thuringiensis que mata as lagartas que comem as plantas. Originalmente, essa bactéria foi usada por plantadores orgânicos. Os cientistas apenas usaram os genes dessa bactéria, incorporando-os na planta. Por isso, com a tecnologia Bt incorporada evita-se, em muito, o excesso de uso dos agrotóxicos.

Vale, então, a pergunta: porque a insistência em ligar os agrotóxicos aos transgênicos? A resposta é simples: porque após 20 anos de produção e consumo verifica-se que as plantas transgênicas no mercado não prejudicam o ambiente ou a saúde humana e animal. A nova forma de atacar a biotecnologia agrícola é ligá-la ao uso de produtos que são tóxicos para uma série de organismos e também para o homem, se ingeridos ou assimilados pelo nosso organismo acima de certa dose. Como mostramos acima, esta associação é falsa.

De fato, atualmente no mundo 180 milhões de hectares são cultivados com plantas transgênicas, sem qualquer impacto diferente daquele observado nas plantas convencionais cultivadas em iguais condições. Bilhões de animais e pessoas se alimentam com produtos formulados a partir de soja, milho, canola e outras plantas transgênicas e nenhum, absolutamente nenhum, problema de saúde foi comprovado. Não há base científica alguma para esperar estes danos e é aí que entra a avaliação de risco, função da CTNBio: depois de 15 anos de plantio e consumo no Brasil, não há sequer uma demonstração de que os OGMs façam mal à saúde ou ao ambiente no nosso país, o que prova, até agora, o acerto das decisões da CTNBio. Lembramos aos leitores também que milhares de outros produtos derivados da biotecnologia fazem parte de nosso dia a dia, indo de fármacos até sabões, tudo consumido e produzido de forma segura. Um exemplo contundente é a insulina, que hoje é idêntica à humana e que antes era derivada de suínos e produzia uma longa lista de problemas colaterais, tanto para o paciente como para o ambiente.

Finalmente, gostaríamos de esclarecer aos nossos colegas do IEA/USP que os membros da CTNBio empregam uma vasta literatura para apoiar seus pareceres e não apenas os dados trazidos pela empresa (inverdade muito encontrada na internet, infelizmente). Além disso, lembramos que os produtos que chegam à linha final da liberação comercial estão, em geral, na ponta de um longo procedimento de avaliação que começa nas casas de vegetação e passam pelos experimentos a campo, muitos anos antes da liberação comercial. Lembramos também que, embora alguns pontos específicos (em geral sobre a construção genética do transgênico) sejam confidenciais, a maioria esmagadora dos processos é pública: basta acessar o e-SIC do MCTI e pedir uma cópia. Por fim, afirmamos aos colegas que a geração de dados pelos cientistas brasileiros e estrangeiros é, de forma muito ampla, independente de financiamento das empresas, pois, o que vale é a consistência do método científico e não quem fez o trabalho ou quem o financiou. Entra aí a honestidade do profissional e sua adesão aos princípios morais de sua carreira e de sua sociedade.

Se os filósofos do IEA/USP ou qualquer outro grupo que crê haver erros na forma de agir da CTNBio desejam de fato o diálogo com a Comissão ou com as sociedades científicas, devem primeiro despir-se do preconceito que revelam a respeito da conduta dos membros da Comissão e dos cientistas em geral, acusando-os de emitirem seus pareceres porque têm apoio indireto ou direto do setor privado que leva seus produtos à CTNBio ou de produzirem dados favoráveis às empresas em troca de financiamentos. Tal posição, além de falsa, é desrespeitosa e não leva a diálogo algum.

Paulo Paes de Andrade, geneticista, UFPE
Francisco G. Nóbrega, microbiólogo, ex-ICB/USP
Zander Navarro, sociólogo, EMBRAPA
Flávio Finardi Filho, farmacêutico, FCF/USP
Walter Colli, bioquímico, IQ/USP

Veja o artigo anterior no link abaixo:

domingo, 16 de março de 2014

Transgênicos: como o agendamento de mídia afeta a notícia

Que o agenda setting é determinado pelos grupos de poder, não há a menor dúvida. No caso dos transgênicos  (como em muitos outros, aliás) ele está ao sabor das prioridades e oportunidades de visibilidade e ganhos destes grupos. Mas raras vezes as posições dos vários grupos apareceram tão claramente refletidas nas manchetes de suas notícias como no caso da suspensão da venda do milho LL da Bayer nas regiões Norte e Nordeste. Fiz um trabalho de garimpo das notícias que apareceram até 48 h depois da decisão do desembargador do TRF4, em Porto Alegre, no dia 13 de março de 2014. Elas estão listadas abaixo, grupadas por afiliação do grupo.

Uma leitura atenta mostra que o Governo Federal em seu escalão mais alto (Portal Brasil) simpatiza com os que se opõem à biotecnologia agrícola: a manchete leva de imediato o leitor a imaginar que os milhos geneticamente modificados foram proibidos no Brasil. A leitura do conteúdo da notícia prova que só a metade da história, ou menos, está contada (ver http://genpeace.blogspot.com.br/2014/03/justica-proibe-venda-de-milho.html). O conteúdo da notícia é claramente uma cópia do que apareceu publicado nos blogs e portais das ONGs que estão perfiladas contra os transgênicos no país, ou suas simpatizantes. O alinhamento vai ao ponto de fazer constar na notícia apenas as declarações da Terra de Direitos, sem qualquer entrevista com a CTNBio, que é o órgão técnico do réu neste processo (a União). E não havia desculpas: a CTNBio estava reunida bem pertinho, no CNPq, exatamente no dia 13 de março...

O segundo portal do Governo é o da Justiça Federal. É evidente que eles foram imparciais e apenas notificam a decisão. Não cabe um jornalismo investigativo neste portal, que pudesse informar ao leitor muitas coisas que não estão na postagem citada acima e ainda o fato de que este milho nunca foi efetivamente comercializado por aqui (Gazeta do Povo, http://agro.gazetadopovo.com.br/noticias/agricultura/milho/veto-a-milho-transgenico-nao-afeta-mercado/ ).  A decisão de suspender a venda desta variedade “de gaveta” não é nova e já tinha sido comentada pela Abramilho muitos anos atrás (http://www.abramilho.org.br/noticias.php?cod=1039).  No fundo, a suspensão tem um mínimo impacto, tanto para criar jurisprudências como para afetar o mercado.

Os cinco primeiros portais de ONGs, todas alinhadas contra os transgênicos, têm chamadas parecidas ou idênticas e o conteúdo é essencialmente copiado do portal da Terra de Direitos. A notícia é apresentada, desde a manchete até o final do conteúdo interno, como uma grande vitória da oposição à biotecnologia agrícola, com frases e declarações que mais parecem palavras de ordem do que uma notícia. Nas notícias destes blogs, que creem fazer um jornalismo investigativo, não há sequer menção à derrota que o Idec, a AS-PTA, a Associação Nacional de Pequenos Agricultores e a Terra de Direitos sofreram no Tribunal: o ponto importante da ação era a suspensão das regras de coexistência e, consequentemente, da venda de sementes e plantio de milho transgênico no país, proibição esta que seria válida para todas as variedades!( http://aspta.org.br/campanha/663-2/; ver comentários em http://genpeace.blogspot.com.br/2014/02/meandros-da-coexistencia-entre-milho.html).  Com o veredicto, por unanimidade, esta pretensão está definitivamente soterrada.

O último portal de ONG é bastante mais neutro, estando a posição claramente refletida na manchete. Mas o conteúdo não é próprio, e sim copiado da Agência Brasil, uma mídia online. Aliás, as mídias online investigadas nesta janela temporal de dois dias após a sentença, sejam grandes ou pequenas, foram relativamente neutras, mas não chegaram ao cerne da ação nem investigaram a totalidade da decisão. Em outras palavras: falharam redondamente em trazer ao leitor uma informação completa.

Ao fim da tabela há o link para uma postagem de nosso blog, onde comentamos a decisão. Também não é completa porque não temos o processo nem a decisão em mãos e porque não somos juristas, mas fizemos o que estava ao nosso alcance para mostrar o lado B da notícia que constava no portal da Terra de Direitos.

Tabela 1:  Clipping de notícias disponíveis na internet até 48 depois da sentença do desembargador do TRF4, que suspendeu a comercialização do milho LL da Bayer no Norte e no Nordeste do Brasil. As notícias estão divididas por grupos de maiorias (ou grupos de poder). Como outgroup foi incluída a análise da notícia no blog GenPeace, que reflete a opinião de um grupo majoritário na CTNBio, mas que é essencialmente escrita pelo proprietário do blog.

Afiliação
Nome
Título da reportagem
Link
Governo
Portal Brasil
Tribunal impede liberação de milho transgênico
Governo
Justiça Federal
TRF4 proíbe comercialização de milho transgênico no Norte e Nordeste do Brasil
ONG
Terra de Direitos
Com voto histórico, TRF4 impede a liberação de milho transgênico da Bayer
ONG
MST
Com voto histórico, TRF4 impede a liberação de milho transgênico da Bayer
ONG
IDEC
Milho transgênico da Bayer não pode mais ser comercializado
ONG
Adital
Vitória contra a comercialização de milho transgênico
ONG
Pulsar - AMARC
Milho transgênico da Bayer tem sua liberação anulada
ONG
EcosBrasil
Justiça proíbe venda de milho transgênico no Norte e Nordeste
Grande mídia
Sergipe Agora
Justiça proíbe venda de milho transgênico da Bayer no Norte e Nordeste
Grande mídia
Gazeta do Povo (Londrina)
Veto a milho transgênico não afeta mercado
Mídia online
Agência Brasil  EBC
Justiça proíbe venda de milho transgênico da Bayer no Norte e Nordeste
Mídia online
Regional  Águas da Serra
Justiça mantém comercialização de milho transgênico no Sul do país
Pessoa física
Genpeace
Justiça proíbe venda de milho transgênico da Bayer no Norte e Nordeste do Brasil: e o que mais? Escondendo informação do público


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sábado, 24 de setembro de 2011

Uma oportunidade para o Brasil e a Bélgica - Coordenação de Marc van Montagu

Caros leitores.


O Dr. Marc vam Montagu, um dos pioneiros da transformação de plantas e expoente neste campo de pesquisa, informa que o simpósio sobre Agricultura Sustentável, numa perspectiva biotecnológica, está aberto. O foco é justamente a oportunidade que a biotecnologia abre para o Brasil e a Bélica (terra natal do Dr. Montagu). As informações estão abaixo.


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Symposium 7 Oct 2011: Sustainable agriculture for an innovative economy – an opportunity for Brazil and Belgium
7 Oct 2011 – Ghent, Belgium

In Brazil, biotechnology is rapidly changing the face of the economy. From agriculture and biofuels to green chemistry, the country is leading the way in public-private partnerships in agricultural research and deployment of new products. On the other side of the world, Belgium has built an impressive track record of pioneering fundamental plant science. Belgian plant scientists are generating frontline knowledge that can form the basis of many innovations in sustainable agriculture and industry.

Now, the Institute of Plant Biotechnology for Developing Countries (IPBO), founded by biotech pioneer Marc Van Montagu, is organizing a symposium about cooperation between Belgium and Brazil in biotech. Aim is to foster the translation of fundamental plant science research into innovative applications for agriculture, cleaner chemical industry and mitigation of environmental impacts in both countries. Representatives from research organizations and companies from both countries will present case studies and opportunities for collaboration in biotechThe symposium is organized at the occasion of the launch of Europalia.Brazil and a FWO and FRS-F.N.R.S.joint workshopon science cooperation between Belgium and Brazil.
Attendance is free, but registration is obligatory.
Venue
De Oude Vismijn
St. Veerleplein 5, 9000 Gent
(see 
map)
More info: