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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Agrotóxicos e transgênicos – sinopse de postagens no GenPeace

Caros,

O assunto “Agrotóxicos e transgênicos” (e, em alguns casos, mais agrotóxicos que transgênicos...) foi tratado no Genpeace em várias ocasiões, com textos meus (sozinho ou em colaboração com colegas mais sábios) e em textos de terceiros. A maior parte foi em resposta à hipótese sem fundamento de que o aumento do uso de agrotóxicos no Brasil se deve ao aumento do uso de transgênicos. A turma que propõe esta ligação se esquece que:

a) só o glifosato (e em menor grau dois outros herbicidas) pode ter um aumento relacionado à expansão das plantas GM tolerantes a ele. Todas as plantas Bt e similares determinaram uma redução importante do uso de inseticidas. Mas mesmo o glifosato sempre foi e continuará sendo usado em uma infinidade de aplicações agropecuárias e é por isso que ele é o líder de vendas. Os demais herbicidas, inseticidas, fungicidas, vermicidas, etc., que estão computados no tal aumento de 200% em dez anos, nada têm a ver com as plantas transgênicas.

b) o aumento no uso de plantas transgênicas, de 2005 a 2014, foi de mais de 10 vezes! Que matemática é essa que iguala um aumento no uso de agrotóxicos em geral, que foi de 2X, com o das plantas GM, que foi de 10X?!!

c) o que de fato aumentou muito (umas 1,5 a 2X) foi a produtividade de nossa agricultura: com um aumento insignificante de área nossa produção aumentou 2X.
Para bom entendedor, a coisa é óbvia: a intensificação da agricultura promoveu um maior uso de agrotóxicos em geral. Mas a turma vai continuar insistindo nesta história da carochinha de aumento de agrotóxico devido aos infernais transgênicos; por várias razões...

Aqui está um sumário das postagens

1. Agrotóxicos: tamanho real do problema e não-relação com os transgênicos -  http://genpeace.blogspot.com.br/2015/03/agrotoxicos-tamanho-real-do-problema-e.html  
2. A adoção dos transgênicos na agricultura não aumentou o uso de agrotóxicos   http://genpeace.blogspot.com.br/2015/04/a-adocao-dos-transgenicos-na.html
3. Instituto culpa transgênicos por aumento no uso de agrotóxicos, sem provas; especialistas rebatem   http://genpeace.blogspot.com.br/2015/05/instituto-culpa-transgenicos-por.html  
4. Cientistas reafirmam ausência de correlação entre aumento do uso de agrotóxicos e aumento do uso de transgênicos: ativista erra nas contas e resvala na ética   http://genpeace.blogspot.com.br/2015/05/cientistas-reafirmam-ausencia-de.html  
5. Resposta detalhada às afirmações de Alan Tygel intituladas “Transgênicos: malefícios do mau uso dos dados e o diálogo mentiroso” publicadas em 11/05/2015 no Jornal da Ciência (SBPC)  http://genpeace.blogspot.com.br/2015/05/resposta-detalhada-as-afirmacoes-de.html  


De toda forma, para a CTNBio o assunto “agrotóxico” é, na prática, vetado pela lei 11.105, no seu artigo 39. Tudo que se refere a agrotóxico vai para a seara do MAPA, da ANVISA e do IBAMA. Mesmo quando a CTNBio aprova um produto que vai usar um agrotóxico, quem regulamenta isso não é ela e quem determina os níveis aceitáveis de uso, menos ainda. De toda forma, não há nada de “imoral” nisso: os níveis de agrotóxicos tolerados para uso em plantas transgênicas não são elevados (10 partes por milhão de resíduo no grão de soja, por exemplo, é o máximo permitido e resulta de limites estabelecidos por aplicações em quantidades rotineiras) e esta história de que as plantas GM foram feitas para tomar banhos de herbicidas é uma fantasia tremenda de alguns ativistas.

domingo, 21 de junho de 2015

Mais uma do Séralini e sua trupe

Quando menos se espera, o bufão de Caen retorna com mais um press release (rolou dia 18 de junho de 2015), anunciando antes da publicação seus resultados e extraordinárias conclusões aos jornalistas ansiosos por uma desgraçazinha. Este comportamento, completamente contrário ao etos científico, é compatível com o comportamento momesco do Séralini.

Mas acontece que os editores do PlosONE, onde o novo pseudo estudo do Séralini seria publicado, tiveram o bom senso de suspender a publicação na horinha! De que  trata o estudo que passou por um primeiro crivo do PlosONE e foi rejeitado na véspera do press release, tirando o doce da boca do garoto francês?

O Séralini e seus companheiros de folia avaliaram a presença de resíduos de agrotóxicos e de transgênicos na ração dos animais de experimentação. O que vocês acham que ele achou? O que é obvio: havia resíduos de um monte de agrotóxicos e as rações continham soja e milho geneticamente modificados. Acontece que os resíduos estavam abaixo do máximo permitido pela legislação. E acontece que os transgênicos são completamente seguros, como demonstrado pelo gigantesco consumo destes produtos mundo a fora nos últimos 10 anos, além do que foi mostrado por mais de 10.000 trabalhos publicados. Mas o que conclui o Séralini e seus maluquinhos, sem qualquer demonstração de causalidade? Que todos os trabalhos que envolvem saúde feitos com animais de laboratório não têm validade!

Uma tamanha viagem jamais poderia ser publicada por uma revista que se proponha a ser científica, embora vá muito bem num site como o GM Watch e em outros ambientes onde mais vale uma bravata do que a verdade. Se o PlosONE publicasse um despautério desta magnitude, seria um desastre para a revista e, ainda mais, para o ambiente científico.

Como esta postagem não tem maior profundidade, recomendo a leitura de outras postagens minhas, que tratam de assuntos mais importantes:

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Alergia e transgênicos

Crítica ao texto em

Copio e colo abaixo um texto publicado no blog Alimentação e Saúde Infantil – Nutrição consciente desde a infância. Após cada parágrafo ou depois de dois ou três eu junto meus comentários (em vermelho). Lá no blog original também fiz comentários, mas a pessoa responsável me espinafrou, me chamando de ignorante e acusando a CTNBio se ser um valhacouto de vendidos às grandes empresas (as críticas estão no final desta postagem, com o merecido reply). Tanto o texto original quanto a resposta apenas amealham o besteirol que circula na internet e não são, de fato, a opinão de quem escreve, mas de um largo grupo de like-mindeds. Uma pena, porque o blog em geral tem boas informações. O que a distorção ideológica não faz!

La vai.
Alergias alimentares x Transgênicos em carnes de animais alimentados com transgênicos
novembro 24, 2014 por Alimentação e Saúde Infantil

É sabido que leite, soja e ovos são os principais alimentos causadores de alergias alimentares, especialmente em crianças.

Não é exatamente assim: a ordem em que estes alimentos aparecem varia de país para país e mesmo de região para região. No Brasil a soja está entre as fontes de alergenos, basta ler o documento de consenso, de 2007 (http://www.crn2.org.br/pdf/artigos/artigos1285071282.pdf), sugerido pela pessoa que postou este texto numa réplica a um comentário meu. Mas o fato da soja estar na tabela em nada indica que ela é uma das fontes de alergenos mais importantes. De forma alguma! Ovo, leite, amendoim, castanhas, corantes, crustáceos, kiwi, e muitos outros vêm na frente, dependendo do lugar do Brasil. Mas esta questão não é relevante: o ponto é que dos alergenos da soja (Globulinas, 7S: β-conglicina, β-amilase, Lipoxigenase, Lecitina, 11S: glicinina, Proteínas do soro, hemaglutinina, Inibidor de tripsina, uréase) nenhum é produzido em maior quantidade nas sojas transgênicas e as novas proteínas que elas contêm não são alergênicas. A discussão da contribuição da transgenia na alergenicidade da soja se esgota aqui.

Entre 2005 e 2006, uma petição com um milhão de assinaturas circulou pela Europa exigindo maiores informações sobre a presença de organismos geneticamente modificados em produtos originários de animais consumidores de rações transgênicas, principalmente carnes, leite e ovos.
O que os europeus fazem não é dirigido pela ciência, mas pela percepção pública, que é coisa muito diferente. O consumo dos transgênicos pelos animais significa que as proteínas novas serão degradadas no trato digestivo deles e os aminoácidos vão virar proteínas de vaca, galinha, porco ou seja lá qual for o bicho que comer a ração. Não vai existir nenhuma proteína nova na carne, nos ovos ou no leite. Isso contraria a fisiologia e está amplamente demonstrado na literatura séria.
Atualmente, as principais preocupações da comunidade cientifica mundial, sobre os efeitos adversos dos organismos geneticamente modificados (OGMs), centram-se na transferência à resistência aos antibióticos, graus de toxicidade e potencial alergenicidade dos produtos manipulados geneticamente.
Num comentário que envie em resposta a este texto, deixei claro que a transferência de genes de antibiótico de plantas para qualquer outro organismo (exceto as plantas da mesma espécie e as sexualmente compatíveis) é uma fantasia. Além disso, o gene teria que se expressar no nosso organismo, mas está sob controle de um promotor de planta (ou de vírus de planta). É como querer jogar um astronauta com um canhão na Lua: só na ficção científica do bom Júlio Verne. Também esclareci que nenhuma proteína nova expressa pelas plantas transgênicas é tóxica, nem muito menos os alimentos formulados com estas plantas, exceto nas mãos de Séralini, da Judy Carman e de uns poucos outros, cujo método em seus experimentos está muito longe da Ciência. Por fim, falei também que as proteínas novas não são alergênicas e, como comentado acima, as proteínas alergênicas já encontradas na palnta convencional não estão em maior quantidade nas transgênicas. Desafio quem quer que seja a demonstrar o contrário com dados científicos, e não citações das especulações teóricas do Jack Heinemann nem alguma bizarria isolada publicada por aí. Concluo: as principais preocupações dos cientistas sérios passam longe destas três coisas citadas acima.
Em 2002, o médico imunologista e alergologista londrino, Gideon Lack, escreveu sobre a migração de DNA de alérgenos para culturas de não-alérgenos, em Clinical risk assessment of GM foods.
No documento, o alergologista discorreu sobre o primeiro cenário de contaminação cruzada ocorrido em 1996, quando proteínas de castanha do Brasil foram transferidas para a soja transgênica.
Dessa forma, a proteína expressa na soja cultivada manteve sua alergenicidade, e pacientes alérgicos ás castanhas, sem respostas para soja, passaram a apresentar resposta mediada por IgE para alergia à soja.
Se uma planta transgênica expressar um alergeno de outro organismo, seguramente pode acontecer que ela se torne um problema no mercado, uma vez que um risco não suspeitado para o consumidor. Por isso, esta tal soja com proteína de castanha do Pará não está à venda e também por isso todas as plantas GM no mercado não expressam alergenos novos. Seria uma imprudência criminosa. Os que se opõem aos OGMs sempre citam este caso da soja com proteínas da castanha, mas “esquecem” de dizer que esta coisa não está à venda em canto algum do planeta e as que estão não têm novos alergenos.
Pesquisas mais recentes apresentam comprovações sobre a deposição de frações transgênicas, não apenas em outras plantas, mas também em tecidos de animais alimentados com esses alimentos.
Uma revisão da literatura conduzida pela ONG Testbiotech encontrou crescentes evidências de que fragmentos de DNA de plantas transgênicas podem ser encontrados em leite, órgãos internos e músculos de animais.
Em abril de 2010, cientistas da Itália relataram a presença de sequências de DNA de soja transgênica em leite de cabras.
Traços deste DNA foram também encontrados nos cabritos e crianças alimentadas com o leite dessas cabras.
Em outra pesquisa, cientistas encontraram traços de plantas transgênicas em órgãos de peixes.
Professor Jack Heinemann. Universidade de Canterbury, Nova Zelândia, in: Report on Animals Exposed to GM Ingredients in Animal Feed

Todas estas pesquisas mostram o que já se sabe faz tempo: diminutas frações de DNA do que a gente come circula no sangue e está presente em outros fluidos corporais (leia também http://genpeace.blogspot.com.br/2013/08/genes-inteiros-podem-passar-do-alimento.html). Numa concentração muito maior estão os DNAs do próprio comedor... Assim, que toma leite de vaca ingere quantidades importantes de DNA e de RNA fita dupla, este último contendo sequências silenciadoras de genes muito semelhantes, senão idênticos, aos nossos. Idem prá quem come bife, carne de porco, de ovelha ou de cabrito. Também ingerimos DNA e iRNA de aves e peixes, embora as sequências sejam menos semelhantes aos nossos genes. Entretanto, isso não tem qualquer impacto em nossa saúde, porque estes DNAs não são incorporados às nossas células nem usados para nada, assim como os iRNAs. Idem para os recombinantes. O Heinemann adora especular sobre isso (o report completo dele está aqui: http://www.biosafety-info.net/file_dir/16329274254b0b792716b0f.pdf), mas em geral só conta uma parte da história, centrando a atenção do leitor nos transgenes... Nada do que está no report dele é novidade para os avaliadores de risco.


Transgênicos e Saúde Humana
O professor do programa de pós-graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC, Miguel Pedro Guerra, defensor de maior cautela com transgênicos, comentou sobre a incorporação de novas proteínas na cadeia alimentar e a ocorrência de alergias provocadas pelas modificações genéticas, em entrevista para a revista Galileu.

A revista Galileu está longe de ser uma publicação com o rigor científico para transformar em fatos algumas especulações. O fato é que as novas proteínas que são expressas pelas plantas transgênicas hoje no mercado não são alergênicas. Entendo a preocupação dos alergologistas, mas eles precisam se debruçar sobre as evidências científicas e não se fiarem em conversa mole de internet ou de certas revistas dde popularização da ciência.
Para o professor, o FDA (agência americana que regula alimentos e remédios nos EUA) não conduziu testes e, em simplificação surpreendente, liberou plantas para o cultivo com base apenas no conceito de equivalência substancial.
Absolutamente errado: o FDA (e, no caso das plantas Bt, também o EPA, além da CTNBIo, da EFSA, do FSANZ, etc) avaliaram dezenas de outros aspectos alimentares. Para o caso das alergias o que é rotina? Ver se as novas proteínas não apresentam características indesejáveis de termoestabilidade e resistência aos fluidos gástricos e ver se suas sequências não têm similaridade com alergenos conhecidos dos bancos de dados. Pois é, nenhuma das proteínas transgênicas expressas pelas plantas aprovadas para consumo tem estas características... Parece que o professor está equivocado ou foi mal interpretado pela revista Galileu.
Por esse conceito, plantas transgênicas são equivalentes às não-transgênicas.
Mas, muitos cientistas discordam dessa simplificação.
“Desde 1996, bactérias, vírus e outros genes introduzidos artificialmente no DNA de soja, milho e sementes de algodão e canola implicam em riscos de reações alérgicas mortais”, comenta Jeffrey M. Smith, do Instituto de Responsabilidade Tecnológica (IRT), com sede nos EUA.

O Jeffrey Smith é um charlatão e não um cientista, e este instituto é uma miragem para não usar uma palavra mais forte. Nenhum médico, nutricionista, biólogo ou qualquer outro profissional que respeite a ciência pode levar a sério um cara destes. Só a nossa mídia meio desorientada e sequiosa de más notícias. Tudo o que ele afirma não merece comentários.
“E as provas, colhidas ao longo da última década, sugerem ainda que estão contribuindo para o aumento das alergias alimentares em todo o mundo. Os cientistas sabem há muito tempo que os transgênicos podem causar alergias”, afirma.
O Reino Unido é um dos poucos países que realiza uma avaliação anual das alergias alimentares.
Em 1999, pesquisadores ingleses ficaram alarmados ao descobrirem que as reações à soja dispararam em 50%, em relação ao ano anterior.

E depois de 99? Sonhar é possível...

A soja geneticamente modificada havia entrado recentemente no Reino Unido, a partir de importações dos EUA.

Gozado é que nos EUA mesmos nãos e viu esta subida imensa, apesar da vigilância enorme das autoridades de saúde. Como a fonte deve se o tal IRT, já se vê que é tudo bobagem.

Na manifestação tardia de alergias, até que um alimento seja consumido com certa frequência, não é possível detectar o processo alérgico.
 “O único teste definitivo para alergias”, segundo o ex-microbiologista do FDA, Louis Pribyl, “é o consumo por pessoas afetadas, o que pode ter implicações éticas em se tratando de estudos programados.”

Isso é verdade: não há testes em animais que apontem novos alergenos. Por isso o Codex Alimentarius estabeleceu um protocolo para avaliar novos alergenos e é ele quem vem sendo seguido. Quanto ao aumento das alergias à soja ou milho, se existe pode ter várias causas, mas uma alergia específica às proteínas EPSPS, Cry (várias), VIP, Bar, etc., nunca foi demonstrada (e muito menos uma alergia cada vez mais comum), embora seja muito simples o teste. Por que? Porque simplesmente não existe.

Ainda conforme documento do IRT, culturas OGMs podem criar novas alergias.
Em 2010, o Dr. Michael Hansen, PhD em impactos da biotecnologia na agricultura e cientista sênior da Consumers Union, ao participar  de evento sobre transgênicos, em São Paulo, comentou que, no início de sua utilização, os transgênicos ocasionaram redução no uso de agrotóxicos. Porém, gradativamente, esse uso passou a duplicar.

O aumento de agrotóxicos, se existir, é só para herbicidas. O consumo de inseticidas reduziu muito desde a adoção das plantas Bt. Toda informação deste IFT é suspeitíssima, por princípio.


O glifosato, princípio ativo do herbicida Roundup Ready (RR), da Monsanto, possui forte relação com prejuízos à saúde humana como reprodução indevida de células, aumento nas taxas de abortos espontâneos, má formação fetal e manifestações imunitárias como alergias alimentares.

Todo pesticida é tóxico, mas o glifosato é dos menos tóxicos entre os herbicidas e por isso as plantas transgênicas foram feitas tolerantes a eles. A oposição ferrenha ao glifosato tem uma razão bem clara: ele é originalmente da Monsanto, a personificação empresarial do capeta na Terra... Quem vende a ideia de que o glifosato é muito perigoso não sabe nada de toxicologia.

Atenção!
Transgênicos na alimentação dos bebês e crianças menores:
Atualmente, além de muitos corantes, açúcar, xarope de milho ou outro adoçante artificial, a maioria das farinhas engrossantes para bebês e produtos lácteos, incluso  certas marcas de leite em pó, possuem transgênicos em suas composições, sem qualquer declaração nos rótulos.

Não é bem assim: vários destes produtos (por exemplo, a Maizena) já têm rotulo. Já o leite em pó, se não contiver adição de soja, é tão transgênico quanto um canguru.
Mulheres que amamentam, especialmente alérgicos, devem observar também a ingestão de carnes e ovos quando frente a alguma reação do lactente.
Fontes bibliográficas

Só a citação grifada em verde provem de uma revista científica, o resto é especulação das OGNs e institutos contra a biotecnologia agrícola (Greenpeace, Idec, etc.) ou blogs e revistas populares.O assunto da referência em verde é importante, mas não existe uma planta do jeito que ele estudou no mercado hoje.

Influência sobre CTNBio é trunfo das gigantes da transgenia
Comissão responsável por liberar pesquisa, produção e comercialização de transgênicos no Brasil é integrada por cientistas ligados às empresas do setor. Disponível em: Repórter Brasil.
Legalizados há 10 anos, transgênicos vivem apoteose
Lei 10.688/2003, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, impulsionou o mercado dos transgênicos, lavouras de soja e devastação da Amazônia para plantio.
Dossiê Transgênicos: os dois lados da moeda. Revista Galileu. Editora Globo.++++

Por fim, comento algumas das severas críticas que o autor (ou autora) do texto acima fez a mim e à CTNBio.

Em primeiro lugar, senhor professor “que possui um site em que apoia incondicionalmente os transgênicos”, basta consultar as fontes do artigo para ver que tudo está sendo pesquisado e estudado por cientistas que não possuem o rabo preso com empresa alguma, e trabalham em busca do que realmente pode ser útil e bom para o progresso da humanidade.

Não existe esta história de “rabo preso”: ou o artigo tem qualidade e os dados podem ser repetidos e serão confirmados e estendidos outros autores, ou a coisa não presta. No caso dos resultados de Séralini e de uns poucos outros que enxergam problemas enormes nos transgênicos, o que falta é método científico nos seus experimentos e isso nada tem a ver com serem independentes ou não. Aliás, para conhecimento do público, o Séralini é amplamente subsidiado pelos grandes supermercados europeus que não vendem transgênicos e por um laboratório que produz “detoxificantes” contra... transgênicos. Vai ter o rabo preso lá na China!


Em segundo lugar, ao colocar que “… dizendo que a soja é um dos principais alergenos na infância. De onde o autor arrancou isso? Está inteiramente equivocado.”
Respondo:
De inúmeros artigos nacionais e internacionais que podem ser acessados pelo senhor através da internet, se desejar, ou livros.
O fato de o senhor desconhecer o assunto não o torna um equivoco. O equivoco está na sua falta de conhecimento sobre o assunto. Entre os inúmeros estudos sobre o tema sugiro que leia esse:
Documento conjunto elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Associação Brasileira de Alergia e Imunopatolia:
A alergia alimentar é mais comum em crianças. Estima-se que a prevalência seja aproximadamente de 6% em menores de três anos e de 3,5% em adultos e estes valores parecem estar aumentando(…) 
São identificados como principais alérgenos responsáveis pela alergia alimentar em crianças: o leite de vaca, o ovo, o trigo, omilho, o amendoim, a soja, os peixes e os frutos do mar. 
Leia completo com quadro e maiores explicações no link acima.
A leitura atenta do documento de consenso, de 2007, citado (http://www.crn2.org.br/pdf/artigos/artigos1285071282.pdf), mostra o que se sabe: a soja tem alergenos. Mas o fato dela estar na tabela em nada indica que ela é uma das fontes de alergenos mais importantes. De forma alguma! Ovo, leite, amendoim, castanhas, corantes, crustáceos, kiwi, e muitos outros vêm na frente, dependendo do lugar no Brasil, grupo de consumidores, etc.. Mas esta questão não é relevante: o ponto é que dos alergenos da soja (Globulinas, 7S: β-conglicina, β-amilase, Lipoxigenase, Lecitina, 11S: glicinina, Proteínas do soro, hemaglutinina, Inibidor de tripsina, uréase) nenhum é mais produzido nas sojas transgênicas do que nas convencionais e as novas proteínas que elas contêm não são alergênicas. O mesmo vale, aliás, para o milho, a canola, o algodão, etc. Ponto.


O senhor não possui base cientifica para afirmar em caps lock e refutar nada do que foi pesquisado e publicado no exterior sobre a contaminação cruzada em transgênicos.
Que diabos é contaminação cruzada de transgênicos? Se é a presença de novos alergenos em alimentos, pela expressão de novas proteínas, a resposta é: esta coisa não existe, porque as novas proteínas não são alergênicas (são rapidamente degradadas no fluido digestivo e não têm semelhança de sequência com qualquer alergeno conhecido nos bancos de dados). Quem parece não possuir formação científica suficiente para entender isso (ou lhe falta vontade) é o autor das críticas a mim.

O número de alergias múltiplas vem aumentando significativamente, nos últimos anos, em paralelo ao aumento do comércio de transgênicos, no mundo todo.
O senhor pode espernear quanto quiser, pois a verdade aparece quando tiver que aparecer.

O número de alergias múltiplas também aumenta com o aumento das refeições feitas fora de casa, com o consumo de orgânicos e com um mundo de outras coisas, com coeficientes de correlação tão bons quanto com o consumo de transgênicos. A causa deste aumento é múltipla e, provavelmente, os transgênicos nada têm a ver com isso porque não existe um mecanismo causal provável (já comentei antes que as proteínas novas expressas pelos transgênicos não parecem ser alergenos e que os alergenos conhecidos das plantas convencionais não estão em maior concentração nas plantas transgênicas, tudo isso é muito bem conhecido). Imaginar que uma simples correlação estatística tosca, como esta, tem um significado importante é desconhecer o método cientifico.

Infelizmente, em alguns momentos da história, um pouco tarde, e à custa da vida de milhares ou milhões de pessoas. Seja mais responsável. Desserviço é o senhor afirmar algo apenas sustentado por sua falta de conhecimento mais profundo sobre o assunto (alergias, transgênicos, etc.).
E, ademais, é importante que além de consciência tenhamos também o mínimo de conhecimento sobre a politicagem que rodeia a defesa de transgênicos no Brasil. Mesmo sabendo que está tudo mais dominado do que gostaríamos.
Quero acreditar que quando afirma que não há maior utilização de agrotóxicos, e que não há riscos de toxicidade das plantas, seja apenas por falta de informações.
O uso de agrotóxicos não implica que eles vão estar presentes no grão, na fruta, no legume ou na verdura que vão ser vendidos. Ou pelo menos, não implica que estes produtos tenham concentrações acima do admitido pelas leis do país. Se o agricultor seguir as recomendações, seu produto será saudável. A maior parte dos casos de contaminação vem da pequena agricultura e da agricultura familiar e nada tem a ver com o agronegócio dos transgênicos.

Veja esse também:
O Ministério Público Federal tem questionado as decisões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em relação ao método utilizado pela Comissão na liberação de produtos transgênicos.

O principal foco do MPF está nos produtos que utilzam o agente 2,4-D – ingrediente do “agente laranja”, desfolhante usado pelo exército americano na Guerra do Vietnã. 

De acordo com o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, a frente deste processo, é preciso que haja uma participação maior das sociedade civil no debate da liberação de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs).
31/10/2013

O Anselmo tem boa intenção, mas ouve demais as informações da AS-PTA, do MST e de outras organizações que, por motivos políticos e ideológicos, são contra os transgênicos. Como o procurador não tem muito trânsito em genética, biologia molecular, epidemiologia e coisas assim fica refém das tolices que lhe são trazidas por alguns “cientistas”. Quanto à relação entre o 2,4-D e o famigerado Agente laranja, sugiro a leitura atenta de http://genpeace.blogspot.com.br/2014/12/10-anos-de-transgenicos-no-brasil.html. Aliás, nesta postagem comento outras afirmações errôneas deste texto acima e das críticas de seu (sua) autor(a).
Comissão responsável por liberar pesquisa, produção e comercialização de transgênicos no Brasil é integrada por muitos cientistas ligados às empresas do setor

É muito fácil para qualquer um que se esconde por trás do anonimato acusar os membros da CTNBio de terem ligações com empresas. Mas o fato é que a maioria esmagadora lá é de professores, cujo salário vem do governo e cujas verbas de pesquisa vêm dos órgãos oficiais de financiamento, O resto é lenda e fuxico, que desrespeita os cientistas excelentes que lutam para avaliar os riscos dos OGMs na Comissão, levando cacete de uma oposição carente de formação científica e, em alguns casos, de caráter.

Contra fatos, não há argumentos.
Como mostrei, não há fato algum, só besteirol.


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Depois de um segundo comentário do autor (ou autora) do texto que critiquei, posto as referências mais novas sobre o assunto que, na verdade, está em grande parte esgotado.

Ladics GS, Fry J, Goodman R, Herouet-Guicheney C, Hoffmann-Sommergruber K, Madsen CB, Penninks A, Pomés A, Roggen EL, Smit J, Wal JM.
Clin Transl Allergy. 2014 Apr 15;4(1):13. doi: 10.1186/2045-7022-4-13.

Goodman RE, Panda R, Ariyarathna H.
J Agric Food Chem. 2013 Sep 4;61(35):8317-32. doi: 10.1021/jf400952y. Epub 2013 Jul 25. Review.

Panda R, Ariyarathna H, Amnuaycheewa P, Tetteh A, Pramod SN, Taylor SL, Ballmer-Weber BK, Goodman RE.
Allergy. 2013 Feb;68(2):142-51. doi: 10.1111/all.12076. Epub 2012 Dec 4. Review.

Wang J, Yu Y, Zhao Y, Zhang D, Li J.
BMC Bioinformatics. 2013;14 Suppl 4:S1. doi: 10.1186/1471-2105-14-S4-S1. Epub 2013 Mar 8.

Young GJ, Zhang S, Mirsky HP, Cressman RF, Cong B, Ladics GS, Zhong CX.
Food Chem Toxicol. 2012 Oct;50(10):3741-51. doi: 10.1016/j.fct.2012.07.044. Epub 2012 Jul 31

Herman RA, Ladics GS.
Food Chem Toxicol. 2011 Oct;49(10):2667-9. doi: 10.1016/j.fct.2011.07.018. Epub 2011 Jul 19

Herman EM, Burks AW.
Curr Opin Biotechnol. 2011 Apr;22(2):224-30. doi: 10.1016/j.copbio.2010.11.003. Epub 2010 Dec 2. Review.


sábado, 28 de junho de 2014

Scientists supporting the republication of Séralini´s paper on transgenic maize and tumor in rats expose the weakness of their position and jeopardize the scientific community

Sustainable Pulse published the opinions of two scientists, welcoming the republication of Seralini´s  zombie paper.  The analysis of their opinions sheds some light on the strategy used by those opposing biotechnology. As you will see from the examples below, the scientific content of the paper is not really mentioned, but rather the circumstances involved in its retraction and rebirth in a new journal. The strategy is to disguise the truth. Moreover, their opinions are heavily laden with a historical prejudice against the science main trend, cleverly disguised in a “neutral” analysis. My comments are in red italics.

Comments from scientists
Dr. Michael Antoniou, a molecular geneticist based in London, commented on the criticisms evoked after the first publication of the paper:, “Few studies would survive such intensive scrutiny by fellow scientists. It did not survive! The scientific community killed it, as well as the editor. The republication of the study after three expert reviews is a testament to its rigour, as well as to the integrity of the researchers . Not at all! The reviewers did not check for scientific quality, but just if the “new” contents were similar to those previously present in the retracted paper (see Nature news http://www.nature.com/news/paper-claiming-gm-link-with-tumours-republished-1.15463?WT.mc_id=FBK_NatureNews)Besides, in what way a republication would confirm a supposed “integrity of the researchers”?

“If anyone still doubts the quality of this study, they should simply read the republished paper. The science speaks for itself. Absolutely! Sience speaks for itself. Therefore, the reader must read the paper and will consequently  see again why it was retracted: it is just a hoax.

“If even then they refuse to accept the results, they should launch their own research study on these two toxic products that have now been in the human food and animal feed chain for many years.” These studies exist, hundreds of them, and they don’t follow Seralini´s methodology. Why? Because his methodology is fully inadequate and this is the main cause of the paper retraction.


Dr Jack A Heinemann, Professor of Molecular Biology and Genetics, University of Canterbury New Zealand, called the republication “an important demonstration of the resilience of the scientific community”. Not at all: the scientific community was against Séralini´s methods and conclusions, as demonstrated by the many statements from scientific societies and academies, risk assessment agencies and prominent researchers, as well as by the  journal editor himself. Dr Heinemann continued, “The first publication of these results revealed some of the viciousness that can be unleashed on researchers presenting uncomfortable findings.  He is referring to the supposed influence of Monsanto on the editor´s decision to retract the paper and to the immediate and large opposition from the most diverse scientific sectors to the publication. The opposition, as well as the retraction, was a response to the publication of one of the most unethical, biased and clearly fraudulent paper ever. I applaud Environmental Sciences Europe for submitting the work to yet another round of rigorous blind peer review (as I said before, there was absolutely no peer review from Environmental Sciences Europe) and then bravely standing by the process and the recommendations of its reviewers, especially after witnessing the events surrounding the first publication. No recommendations at all, since no peer review was done; Seralini did an extensive make up of the paper trying to reduce the weak points of its publication, but the results were still far from acceptable.

“This study has arguably prevailed through the most comprehensive and independent review process to which any scientific study on GMOs has ever been subjected. Completely false, as commented before: the first – and only – reviewing process was weak and missed to point the flaws that were later subject to severe criticism. These flaws ultimately led to the retraction of the paper.

“The work provides important new knowledge that must be taken into account by the community that evaluates and reports upon the risks of genetically modified organisms (the results do not allow a comprehensive conclusion and therefore do not even shed some doubts on previous risk assessments of the transgenic maize used in Seralini´s experiments), indeed upon all sources of pesticide in our food and feed chains. In time these findings must be verified by repetition (not at all! What is the use to repeat a flawed experiment?! Moreover, there is a large set of data showing the opposite of those produced by Séralini) or challenged by superior experimentation (any experiment will be superior to the trash produced by Séralini). In my view, nothing constructive for risk assessment or promotion of GM biotechnology has been achieved by attempting to expunge these data from the public record.” On the contrary: the paper should have been rejected from the very beginning and it was a major mistake of the former FCT editor to be lured by the reviewers and to have accepted the faked paper.

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What is the main strategy disclosed  here? 
The use of catchphrases and general ethical concerns to misconduct the discussion and to fill the text with lies (in this case, a non-existent peer review). Beware of those who use this strategy.

For a lot of new information and comments from scientists, see http://www.geneticliteracyproject.org/2014/06/24/scientists-react-to-republished-seralini-maize-rat-study/ 

Transgênicos e danos à saúde: tantos resultados vitais para a sobrevivência da Humanidade deveriam ter sido publicados em revista de enorme impacto. Porque Séralini não publicou seu artigo na Nature?

Recife, 28 de junho de 2014

Esta postagem é a 200ª. do portal GenPeace, que chega agora a 40.000 visitas, espalhadas pelo Brasil e por mais de 15 países. O responsável pelo blog, Prof. Paulo Andrade, agradece o interesse de todos ao longo destes dois anos.

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Sinopse do artigo zumbi e de sua história pregressa

Séralini e seus colegas alimentaram ratos por 2 anos com milho transgênico e observaram que tinham mais tumores e outros problemas graves de saúde do que os animais alimentados com milho convencional. O artigo estava recheado de erros metodológicos gravíssimos (da escolha da linhagem de ratos, passando pelo desenho experimental e terminando na estatística) e nunca deveria ter sido aceito. Mas o foi, causando uma enorme polêmica e um tremendo desgaste para as agências de avaliação de risco. Depois de um ano, foi retirado de circulação pela revista, uma vez que os autores se negaram a fazê-lo, quando solicitados.

Mais uma vez no cenário, republicado por uma revista científica europeia, o artigo zumbi de Séralini  está cercado de polêmica.

Os autores saíram em campo dizendo que o artigo foi revisto pelos pares (peer-reviewed) e voltaram a insistir nas mesmas conclusões anteriores. Mas um dos editores da revista deixou antever, numa frase obscura, que não houve revisão alguma. Pressionados, os editores declararam que não houve revisão de mérito, mas apenas de forma: o conteúdo  foi essencialmente igual ao do artigo anterior, rejeitado pela revista Food and Chemical Toxicology.

Afinal, porque um artigo rejeitado por falta de consistência científica é republicado numa revista cientifica, ou que ao menos assim se intitula? Os editores já tinham explicado ao público: para disponibilizar o acesso a um artigo que deveria ser mais discutido, ao menos em relação a sua metodologia. Certo? Errado!

 O acesso ao texto pode ser feita de muitas outras formas, inclusive pelo site do Criigen, instituto que apoia o Séralini, não há a menor necessidade de republicar um artigo retirado de uma revista séria para se garantir acesso a ele. A republicação, por outro lado, abriu espaço para que o próprio Séralini e toda a sua legião de aduladores, aproveitadores e admiradores inocentes afirmem que está corroborada a “qualidade” do trabalho, o “erro” do editor da revista anterior e a influência da Monsato. Tudo abobrinha.

Dois dias depois da republicação  os portais brasileiros que normalmente apoiam o Seralini ainda estavam quietos. Finalmente eles aparecem, a partir de 26 de junho (Brasil de Fato; Em pratos limpos: AS-PTA), embora timidamente, repetindo o que dizem seus ícones estrangeiros de sempre.

A História se repete, a primeira vez como drama, a segunda como farsa.

Mas, afinal, se os resultados do Seralini mostram que o milho transgênico impacta diretamente a saúde de bilhões de pessoas e animais que consomem comida ou ração transgênica, porque não foram aceitos e publicados nas revistas mais importantes, como a Nature, a Science, o New England Journal of Medicine ou a Lancet? Não é óbvio que algo assim tão importante deveria ter sido publicado em prestigiosa revista desde a primeira vez, quase dois anos atrás?

Alguns argumentarão que as grandes empresas controlam os conglomerados editores, mas isso é completamente absurdo. Outros poderiam argumentar que os autores nem procuraram publicar nestas revistas, o que já é mais razoável. Seja como for, a Food and Chemical Toxicology é uma revista de bastante prestígiosa e, se o artigo não tivesse sido retirado dela, o Séralini e sua turma estariam à vontade para afirmar que seu artigo havia sido revisto pelos pares (como de fato o foi, ainda que mal!).  Na sua segunda tentativa, o Seralini deveria ter procurado uma revista de grande impacto. Provavelmente o fez, deve ter tentado várias, mas terminou numa revista de baixíssimo impacto e que tem claramente um viés contra a biotecnologia agrícola e contra muitas outras novas tecnologias (link 6).

Que lição se tira disso? Que a republicação é um golpe publicitário e não representa reconhecimento algum do mérito do trabalho anterior. A republicação mostra quem é Séralini: um pseudo-cientista a soldo dos aglomerados comerciais orgânicos e contra os alimentos transgênicos. O Séralini conta em geral com amplo apoio de um movimento contra os OGM que vem sendo financiado  internacionalmente por grandes redes de supermercados e outras grandes empresas, com zero de transparência e total desprezo pela ciência e seus métodos.

Agora o artigo zumbi vai galopar por um tempo que dependerá da eficiência da comunidade científica em desmascará-lo, com apoio da mídia. Não se deve esperar que a nova revista, a Environmental Sciences Europe (http://www.enveurope.com/) retire o artigo de circulação, pois não precisa manter uma credibilidade que não tem. Mas, em nossa leitura, este prato requentado já não atrai tanto a atenção da grande mídia e mesmo entre a mídia alternativa, online, ele vem sendo olhado com muita desconfiança. Acreditamos que o zumbi será sepultado em breve, restando dele apenas o fedor e o susto que deu nas criancinhas expostas a suas histórias de terror.