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quarta-feira, 29 de julho de 2015

CTNBio bota ordem na presença de público às suas reuniões: se você quiser saber como os transgênicos são avaliados na Comissão, não chegue de surpresa por lá.

Faz tempo que qualquer um podia chegar na hora das reuniões setoriais ou da plenária da CTNBio, colocar seu nome num papel na entrada e sentar-se para acompanhar os trabalhos. Mas muitos abusaram deste acesso e se organizaram em grandes grupos para tumultuar a reunião. Agora a Comissão, sem restringir o direito das pessoas em ouvir o que se discute lá, bota um pouco de ordem: serão precisas inscrições prévias, o número de vagas será determinado pela Secretaria Executiva em função de vários parâmetros , assim como a escolha dos participantes. O objetivo é evitar tumultos e garantir a presença da maior diversidade possível de participantes.


As regras, esclarecidas no site da Comissão e válidas já para a reunião de agosto de 2015, estão abaixo:

Inscrições para as Reuniões da CTNBio

Informações gerais:
1) Fica autorizada a presença de espectadores externos a Comissão nas reuniões ordinárias e setoriais da CTNBio;
2) O numero de vagas será determinado pela disponibilidade de assentos no local da reunião, após garantir espaço a todos os membros da CTNBio, equipe de assessores que dá suporte às reuniões, eventuais palestrantes, convidados e participantes com presença previstas em leis e regulamentos;
3)  As inscrições dos interessados seguirá os procedimentos determinados pela Secretaria Executiva da CTNBio;
4) Os espectadores externos não terão direito a voz, salvo mediante autorização da Coordenação da reunião ou convite formal para isso;
5) Os espectadores externos que poderão participar de cada reunião serão definidos pela Secretaria Executiva da CTNBio:
a. Considerando o número de assentos disponíveis, as justificativas apresentadas, segurança do local e a logística da reunião;
b. Mediante inscrição prévia pelo e-mail: reuniaoctnbio@mcti.gov.br
c. Procurando dar oportunidade para que representantes de diferentes instituições possam participar.

Procedimentos para Inscrição:
• Fazer inscrição prévia pelo e-mail: reuniaoctnbio@mcti.gov.br
• No momento da inscrição os dados pessoais dos interessados deverão ser informados:
1 - Nome;
2 - Endereço;
3 -  Telefone de contato;
4 - Número da identidade e CPF.

• Na inscrição deve-se indicar se a instituição a qual representa possui algum item na pauta em questão ou qual outro interesse específico em acompanhar a reunião;
• Indicar quais reuniões deseja-se acompanhar: (setoriais e/ou plenária)

A seleção dos participantes obedecerá os seguintes critérios:
o Ordem da inscrição;
o Disponibilidade de assentos na reunião escolhida (setorial/plenária);
o Inscrição de mais de um representante da instituição;
o Relevância do assunto a ser acompanhado.

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domingo, 8 de março de 2015

O TERRORISMO DO MST ATRASA A CIENCIA BRASILEIRA

 Luiz Antonio Barreto de Castro*

Acompanho a Biotecnologia desde a primeira experiência bem sucedida de Herbert Boyer, que expressou o gene de insulina em Escherichia coli. Isto aconteceu na California em 1973 há quarenta e dois anos atrás, portanto. A minha experiência em ciência data de 1962, quando conclui meu curso de Agronomia na Universidade Rural do Rio de Janeiro. Portanto mais de meio século. Nestes mais de cinquenta anos a agricultura utilizou, a partir da Segunda Guerra Mundial, com o advento do DDT centenas de milhares de toneladas de agrotóxicos clorados, matou milhares de pessoas e não conseguiu controlar as pragas que ainda assolam nossas lavouras. Curiosamente os que invadiram a FuturaGene e a CTNBIO nunca reagiram. Estão conformados com este contexto, como se o envenenamento por agrotóxico fosse aceitável, inevitável, quase desejável. Mais de setenta anos de envenenamento por agrotóxicos não provocam nestas pessoas nenhuma reação. Se quiserem números visitem o SINITOX da FIOCRUZ. Em 2011 houve 5072 casos de intoxicações por agrotóxicos de uso agrícola no País e 2298 tentativas de suicídio pela ingestão destes produtos. Se considerarmos os agrotóxicos de um modo geral, não só os de uso agrícola, mas também os de uso doméstico, produtos veterinários e raticidas, o numero de intoxicações se eleva para 11.196 e as tentativas de suicídio chegam a 4591.  Centenas de pessoas morrem todos os anos, grande parte por suicídio, sem que ninguém, repito, ninguém meta um pé na porta para coibir esta desgraça. Na minha historia profissional assisti a defesa da energia nuclear como se fosse uma excelente tecnologia para a agricultura embora esta tecnologia não tenha produzido nenhum resultado relevante. Até hoje só vi um tecnologia ser proibida por um Juiz incompetente: a engenharia genética, por sete anos. Há que se perguntar o que motiva os terroristas do MST a invadir campos experimentais e impedir a ciência de mostrar seus resultados, apontando caminhos, favoráveis ou não. Quais são as vitimas da engenharia genética? Quantos morreram? Porque lavouras de feijão resistentes a mosaico dourado, que protegem os pequenos produtores e tiram os agrotóxicos de suas mãos, demoraram tanto para serem aprovadas na CTNBio? Porque plantas que reduzem o uso de inseticidas não são adotadas mais depressa na CTNBIO? Enquanto isto, lamento ter que dizer que o Brasil lidera o comercio internacional de agrotóxicos. Quando me formei ele estava em oitavo lugar. Lamento também ter que dizer que os que coíbem a Biotecnologia fortalecem o uso de agrotóxicos no Brasil. Ganhamos a liderança no exercício de uma tecnologia que mata todos os dias e não reduz pragas e doenças. Um caminho que custa bilhões aos produtores e sucumbe a cada nova lagarta que aparece. Leio a revista Science há mais de quarenta anos. Devo admitir que os agrotóxicos hoje são melhores do que no passado, mas continuam tóxicos. Continuam os suicídios. É uma tecnologia ultrapassada, como será a engenharia genética em uma década. O Brasil investe 20 bilhões de dólares em C&T, os Estados Unidos investem 400 bilhões de dólares, números da Science. Pode se argumentar que o PIB americano é muito maior do que o brasileiro. É mesmo, oito vezes maior. Não é vinte vezes maior. Portanto falta dinheiro para a ciência brasileira. Dinheiro que o MST rasgou. Mais de uma década de investimento. Este fato não é singular. Outras corporações foram invadidas porque investiram em engenharia genética . Quais foram a consequências? Nenhuma. Alguém foi preso? Ninguém. Alguém será preso desta vez? Ninguém. Ser terrorista no Brasil é uma profissão de grande sucesso. Um torcedor de futebol que transgrida a lei recebe uma punição maior do que um terrorista do MST. Concluo que futebol é prioridade maior no Brasil do que ciência, como afirmei no meu livro: Historia da Ciência que eu Vivi.  Ganhe dinheiro para ser vândalo com garantia de que não será preso.  O MST está acima do bem e do mal. Apesar de tudo a agricultura brasileira produziu 200 milhões de toneladas de grãos nesta safra e o Brasil é o segundo maior produtor de plantas geneticamente modificadas no mundo. Fica somente atrás dos Estados Unidos. Imaginem se o vandalismo fosse coibido.
                               
*Presidente da Sociedade Brasileira de Biotecnologia



[GenPeace] Ainda que a gente possa compreender que as invasões fazem parte de um ativismo mais agressivo e que podem, em muitos casos, ser justificadas, e ainda que se possa de forma geral simpatizar e até apoiar um movimento que luta por uma distribuição mais justa de terras, isso não valida automaticamente qualquer ação das entidades que levam esta bandeira. No caso específico do MST e sua oposição aos transgênicos, o que se vê é uma extrapolação grave de sua missão original, que era lutar pela melhor distribuição de terras. Ser contra os transgênicos sem ser contra absolutamente todo o agronegócio é absurdo e vender a luta contra os transgênicos como se fosse a mais refinada forma de luta contra o modelo do agronegócio é vender uma farsa. Aqui o Movimento abraça a questão do capital estrangeiro, sem pensar que os beneficiados pela tecnologia somos todos nós. É inútil adentrar nesta discussão, porque o viés ideológico é potente e dispersa qualquer tentativa de ser razoável.

Quanto à questão dos agrotóxicos, concordo que o problema é grave e lembro que o MST abraça a luta contra os agrotóxicos, ainda que esta causa seja relativamente recente (ao menos na intensidade atual). 


quinta-feira, 5 de março de 2015

MST invade a CTNBio e impede a reunião. Cidadão iracundo lidera a invasão, metendo o pé na porta e ferindo funcionária.

Seguia a Plenária da CTNBio na leitura de pareceres e votação, lotada. Muitos membros do MST já tinha tomado lugar, mas respeitavam as regras: não pode haver expressão oral, apenas cartazes ou bandeiras. Depois da votação e aprovação da liberação comercial de dois milhos transgênicos, iniciava-se o processo de análise e votação do eucalipto transgênico. Antes da leitura do “parecer” encaminhado pelo Dr. Paulo Kageyama, que pediu vistas ao processo na reunião anterior, houve uma invasão da sala liderada, segundo informações, por um cidadão enraivecido. Tomado de um ímpeto furioso, o cidadão meteu o pé na porta, que estava fechada e monitorada pela funcionária da CTNBio, ferindo a mesma. Avançou então com dezenas de membros do MST, que gritaram palavras de ordem e fizeram discursos e por fim decretaram o fim da reunião.

Os membros do MST presentes prometeram transformar a invasão numa ação permanente, sem descanso para a CTNBio e pediram repetidamente o fim da Comissão. Não houve reação policial e ninguém ficou ferido.

Com isso a decisão de liberação comercial do eucalipto e todas as demais ficarão para a próxima reunião da CTNBio.

Para saber quais são, de fato, os riscos do eucalipto transgênico, consulte a avaliação de risco, feita com base nas regras internacionais e na ciência.


Anexo fotos da invasão.

A Plenária inicia com muitos manifestantes do MT sentados entre os demais participantes

A enxurrada de manifestantes começa a partir da porta arrombada a chutes

A invasão progride para a frente da sala

Fala na frente da sala. Vários membros discursaram e gritaram palavras de ordem


Outra fala (anterior) na frente da sala




MST, invasão da Futuragene e depredação: o pseudo-ambientalismo nos protestos contra o eucalipto transgênico

Brasília, 05 de março de 2015

Car@s.

Enquanto na CTNBio cientistas e técnicos discutem mais uma vez os riscos da liberação comercial do eucalipto transgênico, de forma ordeira e coerente, o MST invade as instalações da proponente, a Futuragene (empresa da Suzano), em Itapetininga (SP). As imagens no site do MST mostram os invasores perfilados na entrada da empresa, mas a realidade é bem outra: centenas de ativistas depredaram as instalações da empresa. Estes ativistas seguramente nunca leram uma linha sobre a avaliação de risco do eucalipto transgênico, que está aqui disponível (http://genpeace.blogspot.com.br/2015/02/avaliacao-de-risco-do-eucalipto.html).


Confundir ativismo ambiental com vandalismo tem sido a tônica do MST e de outras organizações semelhantes e mesmo do Greenpeace (lembrem-se do caso das linhas de Nazca, no Peru). Estes grupos representam um segmento da sociedade que é avesso ao progresso e confunde seus ideais (ambientais ou sociais) com uma agenda política perigosa, que beira o fascismo. Uma vergonha.


Algumas fotos virão abaixo. Por enquanto postei apenas a do MST.


Foto do MST, mostrando os invasores perfilados.



Foto da Futuragene: pichação e restos de material depredado na estação

segunda-feira, 2 de março de 2015

Entidades trazem à CTNBio denúncia sobre supostos perigos do eucalipto transgênico: crítica à inconsistência da análise

Caros leitores

Como de hábito, às vésperas das votações importantes da CTNBio as redes sociais abarrotam-se de manifestos e cartas contra uma provável decisão de liberação comercial que se aproxima.

Agora é o caso da liberação do eucalipto transgênico e de um milho tolerante ao herbicida 2,4-D: um novo manifesto, liberado pelas indefectíveis Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), tendo por companhia a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), vem se manifestar contra o eucalipto e o milho. Para o milho não há novidade alguma na avaliação de risco: a CTNBio já tem uma imensa experiência com os milhos anteriores e a diferença aqui é a tecnologia associada (isto é, outros herbicidas). O uso dos herbicidas NÃO É DA ALÇADA da CTNBio, mas sim do MAPA, o que invalida toda e qualquer discussão sobre o tema agora. Ele pode ser retomado quando da aprovação do produto pelo MAPA.


Quanto ao eucalipto, as argumentações no texto da própria carta e num segundo texto, linkado ao final da carta (http://www.mst.org.br/2015/03/02/entidades-escrevem-manifesto-contra-a-liberacao-de-eucalipto-transgenico-na-ctnbio.html) não trazem um único grama de novidade: todos os perigos foram tratados pela CTNBio, mesmo aqueles que não são ligados ao impacto direto do eucalipto transgênico na saúde ou no ambiente. Na maioria, os perigos estão sustentados por argumentos fantasiosos e são, eles mesmos, pura fantasia. Para constatar que os perigos foram cuidadosamente avaliados (se inerentes ao transgênico) ou ao menos discutidos (se inerentes à tecnologia) na CTNBio, está disponível uma avaliação de risco semelhante à feita pela Comissão: http://genpeace.blogspot.com.br/2015/02/avaliacao-de-risco-do-eucalipto.html. Ela segue a ciência e a forma internacional de classificar riscos, descartando perigos imaginários. Se desejarem, há também uma réplica à carta inicial que disparou a recente onda de postagens: http://genpeace.blogspot.com.br/2015/02/replica-carta-aos-ministerios.html

O curioso é que, até agora, não há novas manifestações de entidades nacionais de apicultores e nunca houve qualquer manifestação por parte dos grandes exportadores de mel e outros produtos apícolas...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

CTNBio é invadida por manifestantes contra o uso de agrotóxicos - 03 de dezembro de 2014

03 de dezembro de 2014

Como anunciado nas redes sociais, um grupo de manifestantes bem organizado invadiu a reunião da subsetorial ambiental/vegetal da CTNBio nesta manhã, em Brasília. Pelas fotografias observa-se que a maioria era formada de indígenas. Numa das fotos aparece também um manifestante com o EPI para aplicação de agrotóxicos e um pulverizador costal. Os manifestantes trouxeram também o pessoal próprio de mídia.

É impossível negar a importância da discussão dos agrotóxicos, mas a CTNBio definitivamente não é o lugar para isso. Quem decide sobre os agrotóxicos são a ANVISA, o IBAMA e o MAPA. Os manifestantes devem procurar levar suas preocupações aos órgãos de fiscalização e registro.

A argumentação de que o uso de herbicidas aumentou com a adoção dos transgênicos (estes, sim, aprovados pela CTNBiuo em relação aos seus impactos diretos no ambiente e na saúde) não procede: a agricultura brasileira como um todo tem-se acelerado enormemente na última década e toda ela, transgênica ou não, usa herbicidas. Aliás, a totalidade dos casos de intoxicação por agrotóxicos provem da pequena agricultura familiar e os alimentos que estão contaminados com eles são sempre hortaliças e frutas, jamais milho ou soja proveniente do agronegócio. O uso adequado de agrotóxicos é essencial para a agricultura moderna de alta produtividade. Ela pode conviver com a agroecologia, a exclusividade de uma ou outra forma de cultivo é uma tolice (ver comentários aqui)

É preciso serenidade na análise destas coisas e a estratégia adotada pelos manifestantes mostra tudo, menos serenidade ou ponderação.

Abaixo as primeiras fotos. Depois adicionaremos outras

Preparativos para a invasão


















sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Meandros da coexistência entre milho transgênico e convencional

Em entrevista especial publicada hoje, sexta, 21 de fevereiro de 2014, e intitulada "O avanço do cultivo transgênico inviabiliza a produção orgânica e agroecológica", a advogada da AS-PTA, Katya Isaguirre, faz uma série de considerações sobre a norma de coexistência editada pela CTNBio (a conhecida RN-04), muitas delas refletindo uma falta de conhecimento técnico grande. A falta de embasamento técnico e científico, aliás, foi o que levou dois desembargadores a rechaçarem o pedido de suspensão da RN-04, pedido pela entidade. O texto integral da entrevista está disponível em http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/528480-o-avanco-do-cultivo-transgenico-inviabiliza-a-producao-organica-e-agroecologica-entrevista-especial-com-katya-isaguirre


É lamentável que uma advogada declare como letra morta um artigo de lei que não foi revogado: o agricultor que decidiu plantar uma variedade de cultivo transgênico e, por mau manejo ou mesmo inadvertidamente, “contamina” o plantio de um vizinho que tenha decidido por plantar este mesmo cultivo convencional, pode ser processado e terá que pagar indenizações, sim! A questão central é: como se prova que houve “contaminação” a partir de um determinado vizinho? Esta é uma questão técnica, que a advogada ou desconhece ou finge desconhecer: se as normas de coexistência da CTNBio forem obedecidas, a “contaminação” da safra do vizinho por fluxo de pólen do plantio transgênico será muito baixa, provavelmente inferior ao mínimo estabelecido como limiar para comercialização dos grãos como convencionais ou mesmo como orgânicos (vai cair abaixo do limite de detecção). Não cabe, nesta peleja, avaliar individualmente alguns pés de milho, mas a produção que está sendo comercializada, pois é ela que vai determinar o lucro ou o prejuízo do agricultor. Também não faz sentido dizer que o agricultor convencional vai plantar seus grãos como sementes na próxima safra e com isso eventualmente aumentar a presença de plantas GM na sua roça: o agricultor tem obrigação de escolher grãos colhidos em lugares isolados dentro de seu terreno, que minimizem cruzamentos com variedades indesejadas. Alternativamente, ele pode plantar uma pequena parcela com outra data de florescimento para a obtenção de sementes. Por fim, ele pode obter sementes não GM dos programas do Governo Federal de seus parceiros nos estados. Tudo isso é sabido, derna que King Kong era sagui.

Não conhecemos a documentação apresentada como suporte ao pleito da AS-PTA. Pela lógica, ela deveria ter sido levada para a consideração técnica da CTNBio ANTES de ser empregada num processo legal: evidentemente, se houvesse cabimento nas informações, a CTNBio rapidamente reveria sua normativa, sem necessidade de uma interrupção de vendas e plantio, que seria a consequência do acatamento do pleito da AS-PTA pela Justiça. E, de toda forma, deveria tornar-se pública, para que todos pudesse examinar as evidências. Mas a AS-PTA não tem transparência alguma, embora reclame da CTNBio: não há documentos desta natureza disponíveis para download, embora haja muitos outros interessantes para o estudo de agroecologia e os eventuais conflitos com a agricultura tecnificada moderna, seja ela transgênica ou não.

O fato é que, até agora, a CTNBio aparentemente também desconhece as evidências empregadas neste processo. Se forem as mesmas já avaliadas pela Comissão, então têm completa razão a relatora do processo, a desembargadora Marga Inge Barth Tessler, e também o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, que votaram para manter a sentença: não há consistência técnica nem científica nelas.

Quanto ao conceito mesmo de coexistência, engana-se redondamente a advogada quando confunde isso com preservação da biodiversidade: a coexistência é um tema meramente comercial, como já indicado no próprio título da entrevista no portal: “O avanço do cultivo transgênico inviabiliza a produção orgânica e agroecológica”. Não se trata aqui, como sugerido pela advogada no meio da entrevista, de que a coexistência deveria exigir “que se garantam padrões mínimos de proteção à biodiversidade, direito de informação aos consumidores para que eles possam escolher os alimentos que irão consumir e direito de escolha aos agricultores para que decidam qual modelo de semente irão utilizar: transgênica ou crioula”. As normas de coexistência visam apenas garantir a contiguidade de diferentes tipos de cultivo, respeitadas as regras próprias de cada um deles estabelecidas pelo MAPA, permitindo a venda da safra nas condições pretendidas.

A preservação da biodiversidade é tema separado, já avaliado e decido pela CTNBio. A questão de quem guarda o patrimônio genético do milho no Brasil e da participação dos agricultores nisso é tema bem conhecido e não está incorporado na normativa porque não cabe nela. Se a AS-PTA deseja rever estas avaliações, deve encontrar evidências de perda desta biodiversidade (no caso, só se pode estar falando de variedades locais de milho) e, mais ainda, que esta perda é devida à “contaminação” pelas variedades GM. Ora, a AS-PTA sabe que provar isso é simplesmente impossível, porque não há uma relação específica entre transgênicos e redução de diversidade de milho, nem no Brasil, nem em parte alguma do Mundo.

Também erra a advogada em imaginar que há diferentes padrões de fluxo gênico de milho em diferentes áreas de cultivo no Brasil. É evidente que a temperatura e a umidade afetam a viabilidade do pólen, uma vez liberado, e que a velocidade do vento determina seu alcance (embora, muitas vezes, chegue inativo à florada receptora).  Mas isso ocorre em todas as regiões do Brasil e a regra foi estabelecida considerando as condições mais propícias. Basta usar o bom senso. Da mesma forma, erra gravemente a advogada ao comparar regras para sementes com regras para grãos. Este assunto técnico não é, naturalmente, da alçada do pessoal de Direito, mas eles deviam se consultar com especialistas de verdade, e não com os consultores de araque que, parece, lhes estão servindo de guias.

Quanto aos cultivos orgânicos, a douta advogada esqueceu uma informação fundamental: as normas exigidas pelo MAPA para produção orgânica são MUITO MAIS RÌGIDAS do que as determinadas pela RN-04: é muitíssimo improvável que possa haver fluxo gênico entre milho GM e alguma variedade cultivada sob regime orgânico de verdade, porque a distância entre as roças seria de, no mínimo, 500 metros! De fato, cabe ao produtor orgânico, muito mais do que ao convencional ou transgênico, proteger seus cultivos, uma vez que contaminações com pesticidas, além de cruzamentos inesperados com outras variedades, têm que ser evitadas.


Para concluir, a tal inviabilização da agricultura agroecologia (seja orgânica ou outra qualquer) não é real: nos Estados Unidos e no Canadá, que usam normas de coexistência menos rígidas que as nossas, tem havido um crescimento contínuo da agricultura orgânica e de outras formas alternativas de Agricultura. Os dois países cultivam muito mais variedades transgênicas que o Brasil e os EUA têm uma área quase duas vezes maior que a brasileira cultivada com plantas GM. É evidente que as duas (ou mais) formas de agricultura podem conviver perfeitamente e que esta discussão é bizantina, levada no foro errado e visa exclusivamente atrapalhar o agronegócio, sem nenhum proveito real para os pequenos agricultores.